terça-feira, 27 de setembro de 2016

Descreva-se em três personagens fictícios

Saudações, pessoal! Por todos os deuses, que abandono! Que sumiço! Mas tudo bem, a essa altura as poucas pessoas e moscas que passam por aqui já estão acostumadas à minha ausência, né não?

Bem, meu retorno triunfal se deu por um motivo: fazia tempo que queria escrever algo por aqui e semana passada vi todo mundo compartilhando um meme bonitinho sobre se descrever usando três personagens fictícios. Como eu não seria capaz de fazer isso sem escrever *textos explicativos* sobre, aqui estou. Vou me descrever em três personagens fictícios e convido todo mundo a brincar também - se quiser - nos comentários.


1 - Sue Heck - The Middle.


Eu acho que pouca gente assiste The Middle, mas é uma série ultra bonitinha sobre uma família no meio do nada (esse é o título em português, aliás), que fala sobre as relações entre pais, filhos e irmãos de modo leve e bem realista, mas sem grandes dramas. Sue Heck é a filha do meio do casal Frankie e Mike e, bem... ela sou eu, gente. Extremamente desajeitada e inapta, mas uma sobrevivente. Sue é versada no fracasso e, apesar de ter suas habilidades, ela simplesmente nunca é notada. Sabe aquela pessoa azarada? Aquela que sempre passa despercebida? Aquela que não dá certo em UMA coisa que tentou fazer na escola, em um esporte, em uma atividade extra? Pois é. Sue Sue Heck é assim (sim, ela tem o nome repetido graças a um erro de cartório), e eu também fui. 

Ainda assim, Sue tem uma característica que eu admiro muito, que é a sua eterna alegria e otimismo. Segundo meu marido, eu sou "fofinha" como ela, mas na verdade nós dividimos a mesma expressão meio abobada, meio feliz: 


Na verdade, a Sue é aquela pessoa muito "dorky" . Mas ela tenta. E tenta. E tenta mais uma vez. Ela não é uma garota linda e popular, mas também não é incompreendida e revoltada. Muito pelo contrário. Ela também não é aquele ser genial e "cool", ou a jovem de palavras ácidas e atitudes que não condizem com sua idade. Ela é comum e desinteressante à primeira vista (e talvez à segunda, terceira...), e por isso ela acaba sendo tão especial e identificável. A Sue não se importa que riam dela ou que a achem uma tonta. Ela continua, mesmo sendo "versada no fracasso". Amém, Sue. Que a sua resiliência nos ensine muitas coisas. 

(Não, eu não sou tão resiliente e nem tão otimista. Mas eu sou mesmo parecida com a Sue XD). 

2 - Kagome - Inuyasha.



Kagome e eu... eu e Kagome... minha compreensão de que éramos parecidas veio em uma cena em que a Kagome sonha com o casamento do Miroku e da Sango e fica lá, suspirando e imaginando-se como cupido. O meu marido costuma dizer que eu vejo pares e romances em tudo, e é verdade. Todas as minhas personagens de RPG se casam no final da aventura e fazem grandes sacrifícios pelo seu amor (e essas coisas que deixam os mais durões com vontade de vomitar). A Kagome é a maior casamenteira do pedaço, e é bem romântica. Mas ela também é zangada e tem suas explosões de brabeza, porque eu não tenho sangue de barata não, oxe!


Bota o Inuyasha no lugar, Kagome! SENTA!

3 - Athelstan - Vikings.

Pensei, pensei e relutei em colocar o Athelstan aqui, porque eu acho que tenho uma visão muito particular do personagem. PORÉM, essa imagem resume tudo:

"Eu geralmente sou aquela pessoa que não tem ideia do que está acontecendo". 
Athelstan era uma criatura de boas que queria ficar lá no seu mosteiro escrevendo e lendo. Até que arrastaram ele de lá, forçaram-no a viver uma porção de coisas que ele nem queria e assimilar uma cultura diferente. Aonde ele ia, havia alguém que enxergava nele uma "utilidade" e acabava por usá-lo de uma forma ou de outra (ainda que gostassem dele). Perdido entre dois mundos e duas personas diferentes, o monge/viking finalmente encontrou seu caminho no final, decidindo que queria mesmo é seguir seu chamado. Feliz da vida, Athelstan voltou a ter paz quando percebeu quem ele era e o que ele realmente amava. Eu me identifico em vários níveis com a trajetória dele (e estou falando de um sentido amplo, não-religioso), então espero que uma crucificação ou um Floki surtado não estejam no meu caminho XD.

Fora que qualquer professor ou pessoa que cuida de crianças alheias pode se identificar com isso:

Athelstan cuidando das quiança do Ragnar: me representa.  Ele sendo ameaçado de morte pela Lagertha se algo acontecer com as quiança: eu na reunião de pais. 

Ou seja, gente: sou uma pessoa perdida de tudo, mas bem intencionada, romântica e versada no fracasso (e em como driblá-lo e chutar a bola pra frente). E "dorky". Ainda assim, tem gente que me ama, então alguma coisa deve estar dando certo. 


terça-feira, 5 de julho de 2016

Caixinha de música - Oonagh

Saudações, queridos 1d4-1 leitores! Pois é, faz milênios que não passo por aqui, eu sei, mas o motivo tem um nome: Festival Cultural do colégio. Desde maio eu e todos os meus colegas do sexto ano estamos enlouquecendo para dar conta de todas as atividades que o colégio propõe. Para vocês terem uma ideia, nós temos que escrever uma peça de uma hora que englobe todos os alunos das cinco turmas (são mais de cem), ir atrás de figurino, músicas, cenário... enfim, é muita coisa, e mal houve tempo para respirar ou escrever algo que não fosse Sombra e Sol (minha nova história lá no wattpad, para quem não sabe). Obviamente, por conta do stress e do frio (ODEIO FRIO) já estou na minha terceira gripe desde maio (ou seria uma só, recorrente e mal curada?). De qualquer maneira, as férias chegaram, então bora falar de coisa boa!

(Ainda vou falar do festival aqui e do que aprontei, porque envolve Cavaleiros do Zodíaco, fantasias de EVA e alunos fofos fazendo katas de karatê. Mas hoje não!). 

Dia desses, nas minhas andanças pelo YouTube, quis saber como andava o status das Celtic Woman e descobri um clipe fofinho delas, com a música Tír na nÓg. O clipe conta com a participação de uma tal Oonagh e como eu curti a voz e a empolgação da moça, fui saber quem ela era.

Pois bem. Descobri que Oonagh é uma alemã (mais jovem que eu, aliás, oh, inveja!) que faz muito sucesso por lá cantando seu pop meio world music, meio new age, meio trilha sonora de O Senhor dos Anéis. 


Ela tem letras em alemão, mas também canta em élfico e fala sobre a Terra-Média e coisas afins. Já não basta a Alemanha ter nos dado Blind Guardian e Van Canto, eles ainda me vêm com essa.



E esse cenário? O refrão da música é em Quenya, gente, QUENYA. Isso toca na rádio alemã! Eu imagino se o Tolkien algum dia imaginou que sua língua estaria no topo das paradas.

(Enquanto isso, temos Camaro Amarelo ou coisa parecida nas paradas brasileiras, snif! Eu não sou de ficar reclamando e desprezando as coisas do meu país, mas PÔ, gente, chega de sertanejo universitário e funk! TEM GENTE CANTANDO EM QUENYA E VOCÊS ME TORTURANDO COM "BAILE DE FAVELA" EM QUALQUER FORMATURA OU FESTA QUE TENHO QUE IR! EU NÃO AGUENTO MAIS WESLEY SAFADÃO! EU NÃO QUERO MAIS SABER QUANTOS PORCENTO O CARA TEM DE ANJO OU VAGABUNDO! AAAAAAAAH!).

Caham. Continuemos...



A música chama Oromë, que é o Valar das florestas e animais na obra do Tolkien. Mais uma vez, isso é mainstream e toca na rádio alemã. Eu ainda fico meio besta de pensar nisso.

(HAHAHAHAHAHAHA, alguém acabou de passar com o som alto tocando Wesley Safadão na rua de casa!! Isso é karma, gente XD).

Enfim, nem só de Tolkien vive a moça. O estilo dela é esse, na beiradinha do new age (eu adoro, ok? Ok.), mas para quem quiser, tem até música em Quechuá... (esta é uma das minha favoritas... Ananau, inclusive, não é dela, é do grupo Alborada, mas eu amei a adaptação e, como os direitos estão sendo pagos... valeu!).




(Liége dança batendo os pezinhos em casa).

É isso, gente. Só queria apresentar a Oonagh para vocês, cujo nome real é Senta-Sofia. Já estou pensando em como usar uma destas músicas no próximo Festival Cultural do colégio XD.... 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Caixinha de música - A Playlist de Sombra e Sol


Saudações, queridos leitores! Pois é, faz mais de mês (acho) que eu não passo aqui, mas voltei e voltei por uma boa causa. Como vocês sabem, minha mais nova empreitada literária está alocada no wattpad e eu ando bem empolgada. Sombra e Sol já tem 143 leituras (tá, eu sei que é pouco, mas, para mim, é o suficiente pra ficar felizinha. Afinal, na Amazon eu basicamente não vendo nada. Então, 143 leituras é muito mais do que eu esperava) e sete capítulos publicados.

Eu curto muito música, ela influencia bastante na minha escrita. Escrevo as "primeiras versões" das minhas coisas ouvindo música (para revisar/reescrever eu geralmente prefiro o silêncio); é impressionante o quanto ela me ajuda a conhecer melhor meus próprios personagens. Eles geralmente acabam ganhando "temas" (instrumentais ou cantados) e isso muitas vezes funciona como uma "bússola". 

Recentemente, esta anta que vos fala descobriu o maravilhoso (e muy antigo) recurso das playlists no youtube e se empolgou a fazer uma para "Sombra e Sol". Eu comecei a escrever esta história logo depois de terminar "O Despertar de Kathul" (novembro de 2015). Desde então, tenho escutado melodias que me influenciaram bastante. A lista de todas elas seria muito grande; tem uma porção de coisas bem (ou mais) "cheesy", breguinhas, que fazem parte da minha lista secreta de "guilty pleasures" (eu ainda falo sobre isso). Portanto, eu não coloquei tudo; quis selecionar as mais significativas e que tivessem relação mais direta com os personagens e a história. Sem mais delongas, vamos lá:




Dezoito músicas e uma "breve" explicação sobre elas (sem super spoilers, juro!):

1 e 2 - A abertura e a música final da adaptação de "Longe deste insensato mundo/Far from the madding crowd". Um dos personagens de "Sombra e Sol" é filho do Myron e da Valenia (tá, spoiler leve, mas isto não revela o que acontece com eles, né?), cujo "tema" sempre foi esta música, "The Gravel Road". A semelhança entre "The Gravel Road" e o tema de "Far From the Madding Crowd" é grande e me lembro de ter relacionado a melodia ao El, à Lily e a tudo que tivesse relação com a história. Estes são os temas instrumentais de "Sombra e Sol" porque são como "filhos" de "The Gravel Road", o tema de Valenia e Myron, na minha cabecinha XD. 

Fora que é uma música linda, emocionante, e tem tudo a ver com a história. Pronto. 

P.S. Assistam "Far from the Madding Crowd". A mocinha dá nos nervos, mas é um bonito romance de época. Leiam o livro também. 

3 - Danza de Fuoco e Ghiaccio - Rhapsody of Fire - Esta é a música do bardo da história, Dufel (é outro Dufel. Desculpe. Há uma explicação). Tem tudo a ver com ele (é ele cantando, pronto) e seria a música de abertura de Sombra e Sol caso a história virasse uma série de TV/anime, hehehe. Fala sobre a Lua, sobre o Sol, sobre um lobo de olhos vigilantes... é poética, é alegre. Tudo a ver com a história e com o Dufel "falsificado", como o Eladar gosta de falar. Caso encerrado. 

4 e 5 - The one that got away e Poison and Wine - The Civil Wars - estas duas músicas têm letras não exatamente exatas (hahahaha, redundante, eu?) para a história. Porém, elas têm um clima muito apropriado aos "conflitos existenciais" de uma das personagens, a Faena. Quem for acompanhando a história saberá que ela tem tudo a ver com "Oh, if I could go back in time... I wish I never ever seen your face... I wish you were the one that got away" e "I don't love you, but I always will". Bichinha marrenta, esta Faena XD. 

6 - Strangely Beautiful - Amethystium - uma instrumental que tem tudo a ver com Faena, Faedran e a mágica Afeldhun.

7 -With or without you - U2 - "See the stone set in your eyes, see the thorn twist in your side, I wait for you [...] And you give yourself away [...] My hands are tied, my body bruised, she got me with nothing to win and nothing left to lose".  Tudo a ver com o Eladar e eu deixo para vocês a missão de descobrir o porquê lendo XD. (brincadeira, é que se eu conto é spoiler). 

8 - The bioluminescence of the night - James Horner - Tema de Afeldhun, conhecida como "a floresta dentro da floresta". :)

9 - The Cage - Sonata Arctica - um quase tema do personagem Faedran por motivos que vocês terão de descobrir lendo também. "Freedom has a meaning for me [...] Howl with me" :D. 

10 e 11 - Sleepsong e Lullaby - Secret Garden e Josh Groban - Estas aparecem porque, basicamente, temos mamães, papais e filhotes nesta história e estas seriam as músicas que as mães e os pais cantariam para suas crias. ♥

12 - Te tengo miedo - Adriana Mezzadri - uma música que fala sobre uma moça que está querendo afastar seu amor porque tem medo do coração cigano dele (por mais breguinha que isso possa soar), tem tudo a ver com a querida Lyriel. Além disso, esse clima "bárdico" da melodia... aaaah.... até posso imaginar todos dançando em um Festival da Lua Cheia. 

13 - I can't help falling in love with you - Hayley Reinhart - "Wise men say... only fools rush in... but I can't help...". Opa, vamos parar por aqui.

O clássico de Elvis aparece aqui em uma versão feminina suave - mas intensa e cheia de sentimento - que tem tudo a ver com a... Driali? Sim, mas esta não é a Driali de O Enigma da Lua. É outra, uma guerreira ruiva tão sensata e séria quanto a primeira Driali (mas menos sentimental). 

Também tem a ver com a Faena... quem diria. :)

14 - Dark Night of the Soul - Loreena Mckennitt - basicamente, a música de todo mundo que se apaixona nesta história. Porque é tudo meio complicado e vai exigir muita entrega. 

15 - Fear not this night - Asja - esta é uma música de irmãos. Com certeza parece algo que Lyriel e Eladar diriam um ao outro nos momentos difíceis, e parece o jeito como a Olena (logo ela aparece!) fala com a Lyriel em certas cenas da história. 

16 - If we hold on together - cover by Jenn - música muito fofa e que tem cara de encerramento de anime. Eu usaria para este fim, se Sombra e Sol virasse uma animação japonesa. Já imagino cenas dos personagens sentadinhos olhando para as estrelas e vendo o sol nascer, tipo quarto encerramento de Inuyasha. (Sou doente. MEGURU MEGURU TOKI NO NAKA DE :´). Enfim, a letra tem tudo a ver com a história e passa o clima dela certinho. 

"Words are swaying... someone is praying... please let us come home to stay" :´) 

(Peguei um cover porque achei mais suave. Mas também amo a original com a Diana Ross). 

17 - Brothers under the sun - Bryan Adams - Esta música de Spirit - O Corcel Indomável tem tudo a ver com Faedran e com Faena, mesmo ela sendo uma péssima irmã em certo momento desta história. Vocês verão. 

18 - Come away to the water - Esta música foi escrita para o Eladar, sério. De um ponto de vista "vilânico", mas foi. "Come away little lamb, come away to the slaughter... come away, little light, come away to the darkness". Sério, dá até medo. Não, eu não tinha ouvido ela antes de escrever. Nem me lembro como a conheci, mas sei que combina perfeitamente. Brrrr! 

Bem, é isso, pessoal. Espero que esta playlist ajude a instigar certa curiosidade sobre Sombra e Sol. De qualquer modo, foi divertido! Abraços a todos!


domingo, 10 de abril de 2016

Caixinha de música - A trilha (medieval/renascentista) de "A Muralha" - parte III



SAUDAÇÕES, queridos e raros leitores!! Demorou, mas aqui estou de volta com minhas postagens musicais sobre a trilha de "A Muralha"! (Mais esclarecimentos AQUI).

Bem, como achei que a postagem anterior ficou muito grande, vou dividir o que seriam outros dois posts bem extensos em partes menores com, no máximo, duas ou três músicas cada. Acho que fica mais simples e mais gostoso de ler. Eu tenho uma péssima mania de ser prolixa, portanto, esta é a minha tentativa de tornar a vida dos possíveis leitores mais fácil. 

CAHAM. Vamos lá! Na última postagem, falei sobre temas de casais, certo? Hoje vou falar de músicas de personagens específicos e vou começar pelas minhas favoritas: as melodias ligadas a Dom Guilherme (Alexandre Borges) e Padre Miguel (Matheus Nachtergaele).

Primeiro, vamos a Dom Guilherme. Lembram que eu disse que Guilherme era o "bardo" de "A Muralha"? Ainda me lembro do meu encantamento com uma cena em que ele está tocando um alaúde e cantando, e Dona Ana (Letícia Sabatella) vai até ele, curiosa. Então ele pergunta à moça se ela gosta de música, ao que ela assente, e ele diz: "é quando Deus está mais perto dos homens. Até os padres sabem disso". Nunca me esqueci desta fala ♥. A cena é esta (começa aos 1:43 minutos). Dom Guilherme está cantando uma música em "espanhol" (foi o que eu pensei na época) e eu fiquei meio obcecada por ela anos e anos.

Ela também é a música que Guilherme canta para Ana debaixo da janela quando ela está doente; havia, inclusive, uma versão instrumental que tocava aqui e ali, sempre ligada a ele ou aos dois. Só que a canção não estava presente no CD da trilha, o que era bem frustrante! O que me restou? Caçar a bichinha no YouTube até eu reconhecer a melodia. Foram listas e listas de músicas sefarditas até que eu encontrei "Una pastora yo ami". 




Esta é minha versão favorita das que encontrei, bem mais alegrinha do que a versão da série (que eu acho linda). A música é cantada em ladino e fala sobre um garoto que amava uma pastora e foi esquecido por ela. Meu nível de obsessão pela canção é tão alto que escrevi um pequeno poeminha pensando nela; ele vai figurar em "Sombra e Sol", minha série lá no wattpad. É muito amor ♥ e, mais uma vez, uma escolha muito sensível, já que Guilherme se apaixona por uma judia e esta música pertence à tradição dos judeus da península ibérica.

Bem, mas vamos à música que, depois de "La Rosa Enflorece", talvez seja a minha favorita da série toda: o tema de Padre Miguel.

Padre Miguel é o Athelstan de "A Muralha" (na verdade, Padre Miguel surgiu primeiro, então digamos que Athelstan é o Padre Miguel de Vikings XD): jesuíta, cristão, ele começa a série plenamente convicto de suas crenças, mas vai entrando em contato com outra cultura (a dos índios), apaixona-se, enfrenta o terrível Dom Jerônimo e acaba mudando muito. Porém, continua sempre sendo uma pessoa boa e compassiva. É um dos meus personagens favoritos e eu ficava de olhos marejados TODA VEZ que o tema dele tocava:



(É a melodia da cena que começa aos 9:42 minutos ♥).

Creio que esta música foi uma das mais difíceis de encontrar porque eu não fazia ideia de onde ela vinha... estava claro que era religiosa, que devia fazer parte da liturgia da época, mas eu não a encontrava. Bem, foi então que, um dia, em uma das milhares de listas de música medieval que estava escutando, descobri a linda "Hanac Pachap Cuissicuinin" (Alegria dos céus) e chorei como uma criancinha.

 


"Hanac Pachap Cuissicuinin" é um hino Quechua à Virgem Maria, escrito em 1622 por um frei franciscano chamado Juan Peréz Bocanegra. Tendo sido publicado em 1631, foi um dos primeiros hinos religiosos a ser difundido no Novo Mundo. Não se sabe se a melodia foi composta pelo próprio Bocanegra ou por um nativo...

Acho a história e a música tão absolutamente fascinantes que vou colocar a letra dos primeiros versos aqui, só para vocês sentirem o "clima" da coisa. A escolha, novamente, foi muito, muito acertada para acompanhar o padre Miguel, já que se trata de um hino jesuíta e já que Padre Miguel pinta uma Virgem Maria indígena ao longo da história: 

Quechua
Hanacpachap cussicuinin,
Huaran cacta muchas caiqui.
Yupairuru pucocmallqui,
Runa cunap suyacuinin.
Callpannacpa quemicuinin,
Huaciascaita.

Uyarihuai muchascaita
Diospa rampan Diospamaman
Yurac tocto hamancaiman
Yupascalla, collpascaita
Huahuaiquiman suyuscaita
Ricuchillai.
English
Heaven's joy!
a thousand times shall we praise you.
O tree bearing thrice-blessed fruit,
O hope of humankind,
helper of the weak.
hear our prayer!

Attend to our pleas,
O column of ivory, Mother of God!
Beautiful iris, yellow and white,
receive this song we offer you;
come to our assistance,
show us the Fruit of your womb.

Lindo, não? Fiquemos aqui, por hoje, com estas duas canções, terra e céus. Convenhamos, nem precisa de mais! 

sábado, 2 de abril de 2016

Sombra e Sol e O Espelho... que tal uma leitura rápida no fim de semana?

Olá, pessoal! Eu já falei bastante sobre isso no meu outro blog, mas como estou com uma nova empreitada literária, resolvi fazer uma postagem sobre ela aqui também.

O subtítulo do blog diz que eu sou uma "moça que anda tentando ser escritora", e isso é verdade. Só que a maioria das minhas coisas estão na Amazon ou em coletâneas e sei que muita gente não tem paciência para ler um romance inteiro ou um conto de um autor iniciante. Portanto, se quiserem conhecer o que eu cometo de maneira mais descompromissada (e espaçada), fica aqui o convite para que leiam o primeiro capítulo de "Sombra e Sol", minha série no Wattpad (ferramenta de leitura on-line e totalmente gratuita)! A cada semana postarei um capítulo relativamente curto, sossegado de ler. O primeiro foi ao ar ontem!





Além disso, quero dar uma ótima notícia! Meu conto da antologia Excalibur, da Editora Draco, agora pode ser adquirido separadamente na Amazon por apenas R$ 2,99. Olha aí a sinopse de O Espelho: 

"Em meados de 1946, quatro inglesas se mudam para uma casa de campo em Glastonbury, buscando deixar o fantasma da guerra e da morte para trás. Mãe e filhas, porém, não imaginam que sua nova moradia esconde um segredo antigo, vindo de tempos imemoriais, quando reis e cavaleiros andavam sobre a terra. O espelho trincado do porão parece refletir mais do que deveria. A tristeza da dama de Shallot encerra uma terrível maldição..."



Esse é um texto com bastante suspense, algo mais puxado para o terror. Tá vendo? Nem só de elfos e romances eu vivo... XD. 

Bom, por hoje é isso, pessoas. Se você estiver aí, à toa no final de semana, que tal dar uma chance para uma escritora brasuca? Fica a dica! 

terça-feira, 29 de março de 2016

Pipocas e Lendas: Batman Vs. Superman e muitas outras coisas


Olá, pessoas aleatórias e não-aleatórias que passam por aqui! Sei que disse que voltaria com mais uma postagem musical, mas como assisti a “Batman Vs. Superman” ontem, resolvi diversificar um pouco o assunto. Fazia tempo que eu não tinha vontade de comentar um filme, mas este quebrou o meu verdadeiro marasmo cinematográfico.

Bem, as discussões sobre a película tem sido bastante inflamadas e as críticas dos maiores veículos (como Rotten Tomatoes e sites especializados) têm tendido mais para o negativo. Confesso que, num primeiro momento, a temática de “picuinha” entre dois super-heróis não me atraiu, mas como o Matheus estava muito curioso para assistir e havia boatos de que o Aquaman apareceria, resolvemos ir. Antes disso, assistimos a “Homem de Aço”, que nunca havíamos conferido, para poder entender melhor o filme novo, e daí as surpresas começaram.

Não é que eu adorei “Homem de Aço”? A gente sempre achou que seria um filme muito sorumbático, com um Superman “nada a ver”, sombrio e carrancudo, mas não foi assim, não. As discussões sobre o peso da responsabilidade e sobre como o mundo veria (e receberia) uma pessoa como Kal-El foram bem pertinentes. Além disso, eu curti muito o romance do filme. Mas a gente fala sobre isso mais tarde.

Pois bem. “Batman Vs. Superman” segue a mesma linha de “Homem de Aço” e eu... amei o filme. Mas amei mesmo. Está, para mim, ali do lado de “Soldado Invernal” e acho que até ultrapassa o filme do Cap. Que fique claro que eu quase não leio quadrinhos e não sei bem quais são as discrepâncias que o filme traz em relação à caracterização dos personagens. Matheus não curtiu tanto o Batman a la “Dark Knight”, mas eu o achei muito interessante dentro do filme. O Batman mostrado me pareceu um homem muito, muito cansado e cético, que definitivamente não está bem psicologicamente e resolve concentrar todos os seus medos e apreensões naquela figura alienígena que apareceu há dois anos, o Superman.

Uma das discussões mais interessantes do filme gira em torno do Clark, quer dizer, do Kal-El. Como o ser humano reagiria a uma criatura como ele? Veriam-no como um deus? É possível se manter bom em um mundo como o nosso? O que o peso de uma responsabilidade como essa faria a uma pessoa? Superman torna-se uma figura messiânica e a reação das pessoas a ele é totalmente plausível (para o bem e para o mal), incluindo aí a do mimado Alexander Luthor, perfeito vilão egocêntrico dos nossos tempos facebookianos. Ele é o garotinho psicótico que quer desafiar o deus que não o salvou de seus problemas pessoais. Uma mente brilhante cognitivamente, mas extremamente infantil e imatura psicologicamente. 

Muito se falou da Mulher Maravilha. Bom, eu nunca curti a Mulher Maravilha, desde pequena, e acho forçadíssimo falarem que ela foi o ponto alto do filme com TANTA coisa interessante acontecendo. Mas houve sim uma cena muito legal com ela, que a transformou em mais do que “A Mulher Foda” TM: o trecho no qual ela explica por que se afastou do mundo por quase cem anos; ali nós também vemos uma heroína marcada.

Eu achei muito interessante que se discuta o peso de ser um herói neste filme e em “Homem de Aço”, coisa que não acontece muito nas películas da Marvel, mais solares e divertidas. Gosto dos dois tipos de contar histórias, mas confesso que “Batman Vs. Superman” me tocou muito mais com seus questionamentos. Os paralelos com religião, a discussão sobre a necessidade do ser humano de acreditar em algo maior (e melhor) são coisas muito caras a mim. Além disso, a forma ruim como muitos reagem ao Superman é extremamente coerente.

Superman e Lois, aliás, são muito emblemáticos. A minha vida toda eu ouvi as pessoas tirando sarro do Superman e dizendo que ele é sem sal e escoteiro, que é sem graça... tudo bem, todo mundo tem direito de não gostar de um personagem. Mas é interessante ver como muitas pessoas reagem a personagens bons. Tem vezes que não é nem questão de gosto, é uma inabilidade em aceitar, mesmo. É como se eles não fossem possíveis. Por isso a reação ao Superman, no filme, se torna tão interessante: ELE TEM QUE estar fazendo alguma coisa ruim, ele TEM QUE estar errado de algum jeito, ele precisa se tornar um vilão. Gente boa assim não existe.

Vocês já viram como nunca se duvida do mal e das escalas de cinza (eu também não duvido nada destas coisas), mas duvida-se do bom e do bem? As pessoas (e eu me incluo nisso) PROCURAM coisas erradas. Elas desconfiam de TUDO. Se alguém está fazendo alguma coisa boa, tem que haver ali uma motivação escusa. Noto isso até na minha esfera pessoal: nunca comento nada sobre minha vida a dois (até porque não há necessidade), mas o simples fato de eu e o Matheus vivermos bem (e “bem” não é sinônimo de “sem problemas”) e nos tratarmos com carinho já faz as pessoas dizerem (do nada, sem eu ter pedido opinião) que logo isso vai acabar ou que a gente deve se trair ou coisa assim. Porque DEVE TER ALGUMA COISA ERRADA, um segredo hediondo. PRECISA ter.

Superman representa esse bem que as pessoas não conseguem mais aceitar em um mundo cínico como o nosso. E a relação dele com a Lois também é uma relação em que as pessoas não acreditam. Eu li em vários lugares que a Lois não é uma boa “representação feminina” e fiquei com cara de “pois é”.

Fiquei super feliz com a Lois neste filme. Já foi estabelecido que ela é uma pessoa corajosa, que ela tem sua profissão e etc. Só que ela é uma humana em uma luta de deuses e gigantes e é óbvio que vai ficar em desvantagem. E eu vi ali uma mulher que não precisa provar nada, cuja imagem não é tão frágil que ela não possa ser salva (ou vai quebrar a aura de “Mulher Foda TM”). Estou cansada de personagens de papelão, de mulheres que não podem errar ou ter suas fragilidades em nome de uma suposta “melhor representação”. Pois a Lois me representa. “Ah, mas ela só fica indo atrás do Superman”. Então, deixa eu explicar uma coisa, gente, é a REAÇÃO HUMANA, normal, de uma pessoa que ama a outra. Eu iria atrás do meu marido até no inferno se soubesse que ele está em perigo ou pode morrer (e vice-versa, viu?). O Clark estava sendo massacrado de todos os lados, são absolutamente naturais as reações dela e a forma como ela foi colocada na história.

Achei lindas as cenas em que o Clark salvou ela e as cenas em que ela foi em auxílio dele. Lindas mesmo. “You are my world”. Suspirei, chorei, achei bonito. Isso me toca, ponto. E daí do lado tinha a Mulher Maravilha. Outro tipo de mulher, outro tipo de personagem. Legal. Permitam que as mulheres sejam diversas. Não batam na Lois e exaltem a Mulher Maravilha como “o modelo de representavidade” (pelo menos não o único). Há quem se sinta representada pela Lois Lane, eu sou uma delas. Sou uma mulher humana que ama alguém e que gostaria de ter a coragem de fazer muito por ele, caso fosse necessário. Eu não preciso de uma espada e um escudo para me sentir forte (mas entendo quem curte, entendo mesmo), eu sempre achei que a força está no coração (aliás, não é à toa que eu gosto do Superman também) e fico feliz que haja mulheres de todos os tipos surgindo nas histórias. Só não façam (ou continuem fazendo) mulheres de papelão. Mulheres que, ao invés de estarem ali “só para serem salvas”, estão ali para reforçar qualquer pauta panfletária. Questões de representatividade podem ser discutidas em histórias sem parecer que a gente está assistindo a um vídeo institucional didático, gente.

Essa necessidade de trazer novas personagens femininas “fortes” tem criado umas aberrações e umas voltas de roteiro que eu vou te contar. Eu estava amando Legends of Tomorrow, da CW (mesmo com os furos), mas os criadores têm tomado cada decisão criativa que dá vontade de chorar (o último episódio foi tão descaradamente panfletário que ficou artificial – de papelão, como eu disse). Por exemplo, decidiu-se que a Kendra Saunders não podia ficar com o Carter Hall porque ela não podia estar sempre atrelada a um personagem masculino e blá-blá-blá. Mataram o Carter. Daí decidiram que seria uma boa ideia a Kendra “escolher” ficar com o Ray Palmer (oi?), mas ela não pode ser uma “donzela em perigo” (estou pegando birra desse termo). Então, um dia ela vai enfrentar o grande vilão imortal da história, que ela ainda NÃO conseguiu matar em umas 400 encarnações. Esse cara precisa morrer ou senão uma porção de tragédias e calamidades vai acontecer no futuro. Bem, ela tem duas opções:

- Ir sozinha;

- Levar o Ray no bolso para ajudar, caso precise (ele pode ficar pequenino);

O Ray, obviamente, oferece ajuda (e o Ray de LOT é um doce. Ele ofereceria ajuda para qualquer um. Ele tomou uma surra pelo Heatwave, gente). Só há VANTAGENS em levá-lo, sério. O que ela faz? Briga com ele, porque o ego de “mulher independente” (?) dela é mais importante do que, sei lá, o resto do mundo, e vai sozinha.  As coisas dão errado e no final ele ainda pede desculpas para ela porque ela precisa de “um companheiro e não de um namorado super protetor”.

(Não, Ray. Você não precisa se desculpar. A Kendra achou que o ego dela era mais importante do que resolver um problema de escalas globais. A cagada não foi sua. E um companheiro também teria oferecido ajuda, porque ACEITAR AJUDA NÃO É FRAGILIDADE, em muitos casos é simples questão de inteligência).

Enfim. O post já está muito grande, então, só digo isso: Lois me representa. A Mulher Maravilha é legal, mas é com a Lois que eu me identifico, e aprendi que não tem nada de errado em ser humana e ser salva de vez em quando.

;´) 

terça-feira, 15 de março de 2016

Caixinha de música - A trilha (medieval/renascentista) de "A Muralha" - parte II

Ontem falei que começaria a minha série sobre a trilha de "A Muralha" com os temas de casais. Certamente as melodias que embalavam os enamorados da série estavam entre as que mais se repetiam durante os capítulos e eram todas - a meu ver - lindas.

"A Muralha" tem vários casais e histórias de amor, algumas bem trágicas. Quando eu tinha doze anos, meu casal favorito era, com certeza, Dom Guilherme (Alexandre Borges, muito simpático no papel), um verdadeiro bardo de bom coração e Dona Ana (Letícia Sabatella, linda), a judia que veio de Portugal para se casar com Dom Jerônimo Taveira (GAAAAAH, o desespero que eu tenho deste personagem!! O ASCO! Tarcísio Meira fez um excelente trabalho) e assim tentar salvar seu pai das fogueiras da inquisição. A história deles com certeza era a mais dramática e romântica... e até hoje eles seguem sendo meus favoritos, talvez por conta da nostalgia (mas Ana sofre demais, pobrezinha!). 

Não é a melhor imagem de nenhum dos dois, mas foi a única em que os encontrei juntos! 

A música deles também era a minha preferida, na época (e a da minha família). Era verdadeiramente linda e tinha duas versões: 



Uma com alaúde ou algum outro instrumento de cordas, combinando bem com o romântico Dom Guilherme.


 

E esta, mais suave, com predomínio da flauta ♥. Pois bem. Depois de muita procura, descobri que a música é de 1675 e se chama Españoleta. Pelo que li, parece se tratar de uma "romanesca", um estilo de música da época (creio que é isso mesmo. Dizem que "Greensleeves" é uma romanesca e o estilo é parecido, não?). Note que o segundo vídeo acima tem este nome no título porque ele é meu e eu o adicionei depois da descoberta XD. A música é atribuída a Gaspar Sanz (1640-1710), compositor e violonista espanhol.


 

Este arranjo é bem parecido com o usado em "A Muralha"...

 

 Mas também temos interpretações mais complexas. Uma música muito linda...

Iupi!! Vamos à próxima. Um outro casal que me deixava muito emocionada era Leonel (Leonardo Medeiros) e Margarida (Maria Luiza Mendonça). Leonel fez uma coisa muito questionável durante a série, mas ele realmente amava sua esposa, que era praticamente uma fada do campo. Margarida era doce, suave, amava os animais, as flores... e fazia poesia. Eu AMAVA suas roupas leves, seus arranjos de cabelo e seu jardim de rosas e me identificava horrores com ela.

Não achei foto de Margarida e Leonel juntos, snif. Fiquemos apenas com Margarida. 


O maior desejo da moça era ter um filho, mas ela era estéril. A história dos dois foi uma das que mais me fez chorar, e hoje a música tema de Margarida e Leonel (mas principalmente dela, que era uma rosa...) é a minha favorita (o vídeo abaixo também é meu ♥). 




MEU DEUS, QUE MÚSICA LINDA, MEU DEUS!

Foi com muita alegria que descobri que esta pérola musical é uma canção sefardita. Os sefarditas são os judeus de Portugal e Espanha e este pessoal fez a linda "La Rosa Enflorece", que, aliás, tem letra em ladino (judeu-espanhol). Se eu tivesse que escolher um tema para minha vida... (mentira, jamais conseguiria escolher um só, mas "La Rosa Enflorece", também conhecida como "Los bilbilicos" - os rouxinóis - estaria bem cotada). BEHOLD:



 A letra está aqui. Dá para entender.

Tem até versão metal, gente:





Só depois de saber a letra e escutar a "versão original" eu percebi o quanto a escolha da música foi extremamente feliz e cuidadosa. Combinava muito com a Margarida. Mas vamos parar aqui antes que eu poste todas as versões do You Tube. 

Prossigamos para o próximo casal que definitivamente não era o meu favorito, mas que tinha uma música muito bonita também. O cafajeste Bento Coutinho (Caco Ciocler), comparsa de Dom Jerônimo e posterior herói trágico e Rosália (Regiane Alves), a filha mais jovem de Dom Braz Olinto, patriarca de Lagoa Serena.



A história também é de fazer o ♥ partir em pequenos cacos e a música só ajuda no drama: 

09.Rosália e Bento.mp3 - pode clicar e ouvir, gente. O arquivo é meu.

Pois bem. Esta linda e tristonha musiquinha chama-se "Adio Kerida", também é uma melodia sefardita com letra em ladino e é ultra trágica. A minha versão favorita é esta, interpretada por Yasmin Levy:




A letra também combina muito com os personagens, pois fala de uma história de amor trágica. Basicamente, um homem está dando adeus para a amada, dizendo que não quer mais a vida, pois a mulher a amargou. Mais uma vez vemos que o trabalho de pesquisa e escolha das canções foi muito sensível. A equipe de "A Muralha" está de parabéns. Merece não só palmas, mas o Tocantins inteiro (lágrimas). 

Por último, outro casal trágico, Basília (Débora Evelyn) e Afonso (Celso Frateschi). Os dois já eram casados e a mulher culpava o marido por ter perdido o filho deles em uma das suas incursões pelo sertão. Outra história melancólica, mas me lembro que a música dos dois era muito suave e evocava muito bem toda a solidão de Basília e de seu companheiro. 


Infelizmente não tenho o arquivo da versão de "A Muralha" para vocês, mas descobri que a música se chama "Si la noche haze escura" e é atribuída a Francisco Guerrero (1528-1599). Novamente, uma escolha muito acertada. A letra fala sobre uma mulher que espera pelo amado em uma noite escura e solitária; a personagem certamente combina com tal imagem, já que passa grande parte da série esperando pela volta do filho e do marido. 




Bem, por hoje ficamos por aqui. Devem estar se perguntando onde está a canção do casal principal da série, Beatriz (Leandra Leal) e Tiago (Leonardo Brício). Pois é. A música deles é linda, mas é uma das que ainda não achei.... mas voltamos a falar dos dois mais tarde. Na semana que vem retorno com mais trilha de "A Muralha" e seus personagens...