terça-feira, 27 de setembro de 2016

Descreva-se em três personagens fictícios

Saudações, pessoal! Por todos os deuses, que abandono! Que sumiço! Mas tudo bem, a essa altura as poucas pessoas e moscas que passam por aqui já estão acostumadas à minha ausência, né não?

Bem, meu retorno triunfal se deu por um motivo: fazia tempo que queria escrever algo por aqui e semana passada vi todo mundo compartilhando um meme bonitinho sobre se descrever usando três personagens fictícios. Como eu não seria capaz de fazer isso sem escrever *textos explicativos* sobre, aqui estou. Vou me descrever em três personagens fictícios e convido todo mundo a brincar também - se quiser - nos comentários.


1 - Sue Heck - The Middle.


Eu acho que pouca gente assiste The Middle, mas é uma série ultra bonitinha sobre uma família no meio do nada (esse é o título em português, aliás), que fala sobre as relações entre pais, filhos e irmãos de modo leve e bem realista, mas sem grandes dramas. Sue Heck é a filha do meio do casal Frankie e Mike e, bem... ela sou eu, gente. Extremamente desajeitada e inapta, mas uma sobrevivente. Sue é versada no fracasso e, apesar de ter suas habilidades, ela simplesmente nunca é notada. Sabe aquela pessoa azarada? Aquela que sempre passa despercebida? Aquela que não dá certo em UMA coisa que tentou fazer na escola, em um esporte, em uma atividade extra? Pois é. Sue Sue Heck é assim (sim, ela tem o nome repetido graças a um erro de cartório), e eu também fui. 

Ainda assim, Sue tem uma característica que eu admiro muito, que é a sua eterna alegria e otimismo. Segundo meu marido, eu sou "fofinha" como ela, mas na verdade nós dividimos a mesma expressão meio abobada, meio feliz: 


Na verdade, a Sue é aquela pessoa muito "dorky" . Mas ela tenta. E tenta. E tenta mais uma vez. Ela não é uma garota linda e popular, mas também não é incompreendida e revoltada. Muito pelo contrário. Ela também não é aquele ser genial e "cool", ou a jovem de palavras ácidas e atitudes que não condizem com sua idade. Ela é comum e desinteressante à primeira vista (e talvez à segunda, terceira...), e por isso ela acaba sendo tão especial e identificável. A Sue não se importa que riam dela ou que a achem uma tonta. Ela continua, mesmo sendo "versada no fracasso". Amém, Sue. Que a sua resiliência nos ensine muitas coisas. 

(Não, eu não sou tão resiliente e nem tão otimista. Mas eu sou mesmo parecida com a Sue XD). 

2 - Kagome - Inuyasha.



Kagome e eu... eu e Kagome... minha compreensão de que éramos parecidas veio em uma cena em que a Kagome sonha com o casamento do Miroku e da Sango e fica lá, suspirando e imaginando-se como cupido. O meu marido costuma dizer que eu vejo pares e romances em tudo, e é verdade. Todas as minhas personagens de RPG se casam no final da aventura e fazem grandes sacrifícios pelo seu amor (e essas coisas que deixam os mais durões com vontade de vomitar). A Kagome é a maior casamenteira do pedaço, e é bem romântica. Mas ela também é zangada e tem suas explosões de brabeza, porque eu não tenho sangue de barata não, oxe!


Bota o Inuyasha no lugar, Kagome! SENTA!

3 - Athelstan - Vikings.

Pensei, pensei e relutei em colocar o Athelstan aqui, porque eu acho que tenho uma visão muito particular do personagem. PORÉM, essa imagem resume tudo:

"Eu geralmente sou aquela pessoa que não tem ideia do que está acontecendo". 
Athelstan era uma criatura de boas que queria ficar lá no seu mosteiro escrevendo e lendo. Até que arrastaram ele de lá, forçaram-no a viver uma porção de coisas que ele nem queria e assimilar uma cultura diferente. Aonde ele ia, havia alguém que enxergava nele uma "utilidade" e acabava por usá-lo de uma forma ou de outra (ainda que gostassem dele). Perdido entre dois mundos e duas personas diferentes, o monge/viking finalmente encontrou seu caminho no final, decidindo que queria mesmo é seguir seu chamado. Feliz da vida, Athelstan voltou a ter paz quando percebeu quem ele era e o que ele realmente amava. Eu me identifico em vários níveis com a trajetória dele (e estou falando de um sentido amplo, não-religioso), então espero que uma crucificação ou um Floki surtado não estejam no meu caminho XD.

Fora que qualquer professor ou pessoa que cuida de crianças alheias pode se identificar com isso:

Athelstan cuidando das quiança do Ragnar: me representa.  Ele sendo ameaçado de morte pela Lagertha se algo acontecer com as quiança: eu na reunião de pais. 

Ou seja, gente: sou uma pessoa perdida de tudo, mas bem intencionada, romântica e versada no fracasso (e em como driblá-lo e chutar a bola pra frente). E "dorky". Ainda assim, tem gente que me ama, então alguma coisa deve estar dando certo. 


terça-feira, 5 de julho de 2016

Caixinha de música - Oonagh

Saudações, queridos 1d4-1 leitores! Pois é, faz milênios que não passo por aqui, eu sei, mas o motivo tem um nome: Festival Cultural do colégio. Desde maio eu e todos os meus colegas do sexto ano estamos enlouquecendo para dar conta de todas as atividades que o colégio propõe. Para vocês terem uma ideia, nós temos que escrever uma peça de uma hora que englobe todos os alunos das cinco turmas (são mais de cem), ir atrás de figurino, músicas, cenário... enfim, é muita coisa, e mal houve tempo para respirar ou escrever algo que não fosse Sombra e Sol (minha nova história lá no wattpad, para quem não sabe). Obviamente, por conta do stress e do frio (ODEIO FRIO) já estou na minha terceira gripe desde maio (ou seria uma só, recorrente e mal curada?). De qualquer maneira, as férias chegaram, então bora falar de coisa boa!

(Ainda vou falar do festival aqui e do que aprontei, porque envolve Cavaleiros do Zodíaco, fantasias de EVA e alunos fofos fazendo katas de karatê. Mas hoje não!). 

Dia desses, nas minhas andanças pelo YouTube, quis saber como andava o status das Celtic Woman e descobri um clipe fofinho delas, com a música Tír na nÓg. O clipe conta com a participação de uma tal Oonagh e como eu curti a voz e a empolgação da moça, fui saber quem ela era.

Pois bem. Descobri que Oonagh é uma alemã (mais jovem que eu, aliás, oh, inveja!) que faz muito sucesso por lá cantando seu pop meio world music, meio new age, meio trilha sonora de O Senhor dos Anéis. 


Ela tem letras em alemão, mas também canta em élfico e fala sobre a Terra-Média e coisas afins. Já não basta a Alemanha ter nos dado Blind Guardian e Van Canto, eles ainda me vêm com essa.



E esse cenário? O refrão da música é em Quenya, gente, QUENYA. Isso toca na rádio alemã! Eu imagino se o Tolkien algum dia imaginou que sua língua estaria no topo das paradas.

(Enquanto isso, temos Camaro Amarelo ou coisa parecida nas paradas brasileiras, snif! Eu não sou de ficar reclamando e desprezando as coisas do meu país, mas PÔ, gente, chega de sertanejo universitário e funk! TEM GENTE CANTANDO EM QUENYA E VOCÊS ME TORTURANDO COM "BAILE DE FAVELA" EM QUALQUER FORMATURA OU FESTA QUE TENHO QUE IR! EU NÃO AGUENTO MAIS WESLEY SAFADÃO! EU NÃO QUERO MAIS SABER QUANTOS PORCENTO O CARA TEM DE ANJO OU VAGABUNDO! AAAAAAAAH!).

Caham. Continuemos...



A música chama Oromë, que é o Valar das florestas e animais na obra do Tolkien. Mais uma vez, isso é mainstream e toca na rádio alemã. Eu ainda fico meio besta de pensar nisso.

(HAHAHAHAHAHAHA, alguém acabou de passar com o som alto tocando Wesley Safadão na rua de casa!! Isso é karma, gente XD).

Enfim, nem só de Tolkien vive a moça. O estilo dela é esse, na beiradinha do new age (eu adoro, ok? Ok.), mas para quem quiser, tem até música em Quechuá... (esta é uma das minha favoritas... Ananau, inclusive, não é dela, é do grupo Alborada, mas eu amei a adaptação e, como os direitos estão sendo pagos... valeu!).




(Liége dança batendo os pezinhos em casa).

É isso, gente. Só queria apresentar a Oonagh para vocês, cujo nome real é Senta-Sofia. Já estou pensando em como usar uma destas músicas no próximo Festival Cultural do colégio XD.... 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Caixinha de música - A Playlist de Sombra e Sol


Saudações, queridos leitores! Pois é, faz mais de mês (acho) que eu não passo aqui, mas voltei e voltei por uma boa causa. Como vocês sabem, minha mais nova empreitada literária está alocada no wattpad e eu ando bem empolgada. Sombra e Sol já tem 143 leituras (tá, eu sei que é pouco, mas, para mim, é o suficiente pra ficar felizinha. Afinal, na Amazon eu basicamente não vendo nada. Então, 143 leituras é muito mais do que eu esperava) e sete capítulos publicados.

Eu curto muito música, ela influencia bastante na minha escrita. Escrevo as "primeiras versões" das minhas coisas ouvindo música (para revisar/reescrever eu geralmente prefiro o silêncio); é impressionante o quanto ela me ajuda a conhecer melhor meus próprios personagens. Eles geralmente acabam ganhando "temas" (instrumentais ou cantados) e isso muitas vezes funciona como uma "bússola". 

Recentemente, esta anta que vos fala descobriu o maravilhoso (e muy antigo) recurso das playlists no youtube e se empolgou a fazer uma para "Sombra e Sol". Eu comecei a escrever esta história logo depois de terminar "O Despertar de Kathul" (novembro de 2015). Desde então, tenho escutado melodias que me influenciaram bastante. A lista de todas elas seria muito grande; tem uma porção de coisas bem (ou mais) "cheesy", breguinhas, que fazem parte da minha lista secreta de "guilty pleasures" (eu ainda falo sobre isso). Portanto, eu não coloquei tudo; quis selecionar as mais significativas e que tivessem relação mais direta com os personagens e a história. Sem mais delongas, vamos lá:




Dezoito músicas e uma "breve" explicação sobre elas (sem super spoilers, juro!):

1 e 2 - A abertura e a música final da adaptação de "Longe deste insensato mundo/Far from the madding crowd". Um dos personagens de "Sombra e Sol" é filho do Myron e da Valenia (tá, spoiler leve, mas isto não revela o que acontece com eles, né?), cujo "tema" sempre foi esta música, "The Gravel Road". A semelhança entre "The Gravel Road" e o tema de "Far From the Madding Crowd" é grande e me lembro de ter relacionado a melodia ao El, à Lily e a tudo que tivesse relação com a história. Estes são os temas instrumentais de "Sombra e Sol" porque são como "filhos" de "The Gravel Road", o tema de Valenia e Myron, na minha cabecinha XD. 

Fora que é uma música linda, emocionante, e tem tudo a ver com a história. Pronto. 

P.S. Assistam "Far from the Madding Crowd". A mocinha dá nos nervos, mas é um bonito romance de época. Leiam o livro também. 

3 - Danza de Fuoco e Ghiaccio - Rhapsody of Fire - Esta é a música do bardo da história, Dufel (é outro Dufel. Desculpe. Há uma explicação). Tem tudo a ver com ele (é ele cantando, pronto) e seria a música de abertura de Sombra e Sol caso a história virasse uma série de TV/anime, hehehe. Fala sobre a Lua, sobre o Sol, sobre um lobo de olhos vigilantes... é poética, é alegre. Tudo a ver com a história e com o Dufel "falsificado", como o Eladar gosta de falar. Caso encerrado. 

4 e 5 - The one that got away e Poison and Wine - The Civil Wars - estas duas músicas têm letras não exatamente exatas (hahahaha, redundante, eu?) para a história. Porém, elas têm um clima muito apropriado aos "conflitos existenciais" de uma das personagens, a Faena. Quem for acompanhando a história saberá que ela tem tudo a ver com "Oh, if I could go back in time... I wish I never ever seen your face... I wish you were the one that got away" e "I don't love you, but I always will". Bichinha marrenta, esta Faena XD. 

6 - Strangely Beautiful - Amethystium - uma instrumental que tem tudo a ver com Faena, Faedran e a mágica Afeldhun.

7 -With or without you - U2 - "See the stone set in your eyes, see the thorn twist in your side, I wait for you [...] And you give yourself away [...] My hands are tied, my body bruised, she got me with nothing to win and nothing left to lose".  Tudo a ver com o Eladar e eu deixo para vocês a missão de descobrir o porquê lendo XD. (brincadeira, é que se eu conto é spoiler). 

8 - The bioluminescence of the night - James Horner - Tema de Afeldhun, conhecida como "a floresta dentro da floresta". :)

9 - The Cage - Sonata Arctica - um quase tema do personagem Faedran por motivos que vocês terão de descobrir lendo também. "Freedom has a meaning for me [...] Howl with me" :D. 

10 e 11 - Sleepsong e Lullaby - Secret Garden e Josh Groban - Estas aparecem porque, basicamente, temos mamães, papais e filhotes nesta história e estas seriam as músicas que as mães e os pais cantariam para suas crias. ♥

12 - Te tengo miedo - Adriana Mezzadri - uma música que fala sobre uma moça que está querendo afastar seu amor porque tem medo do coração cigano dele (por mais breguinha que isso possa soar), tem tudo a ver com a querida Lyriel. Além disso, esse clima "bárdico" da melodia... aaaah.... até posso imaginar todos dançando em um Festival da Lua Cheia. 

13 - I can't help falling in love with you - Hayley Reinhart - "Wise men say... only fools rush in... but I can't help...". Opa, vamos parar por aqui.

O clássico de Elvis aparece aqui em uma versão feminina suave - mas intensa e cheia de sentimento - que tem tudo a ver com a... Driali? Sim, mas esta não é a Driali de O Enigma da Lua. É outra, uma guerreira ruiva tão sensata e séria quanto a primeira Driali (mas menos sentimental). 

Também tem a ver com a Faena... quem diria. :)

14 - Dark Night of the Soul - Loreena Mckennitt - basicamente, a música de todo mundo que se apaixona nesta história. Porque é tudo meio complicado e vai exigir muita entrega. 

15 - Fear not this night - Asja - esta é uma música de irmãos. Com certeza parece algo que Lyriel e Eladar diriam um ao outro nos momentos difíceis, e parece o jeito como a Olena (logo ela aparece!) fala com a Lyriel em certas cenas da história. 

16 - If we hold on together - cover by Jenn - música muito fofa e que tem cara de encerramento de anime. Eu usaria para este fim, se Sombra e Sol virasse uma animação japonesa. Já imagino cenas dos personagens sentadinhos olhando para as estrelas e vendo o sol nascer, tipo quarto encerramento de Inuyasha. (Sou doente. MEGURU MEGURU TOKI NO NAKA DE :´). Enfim, a letra tem tudo a ver com a história e passa o clima dela certinho. 

"Words are swaying... someone is praying... please let us come home to stay" :´) 

(Peguei um cover porque achei mais suave. Mas também amo a original com a Diana Ross). 

17 - Brothers under the sun - Bryan Adams - Esta música de Spirit - O Corcel Indomável tem tudo a ver com Faedran e com Faena, mesmo ela sendo uma péssima irmã em certo momento desta história. Vocês verão. 

18 - Come away to the water - Esta música foi escrita para o Eladar, sério. De um ponto de vista "vilânico", mas foi. "Come away little lamb, come away to the slaughter... come away, little light, come away to the darkness". Sério, dá até medo. Não, eu não tinha ouvido ela antes de escrever. Nem me lembro como a conheci, mas sei que combina perfeitamente. Brrrr! 

Bem, é isso, pessoal. Espero que esta playlist ajude a instigar certa curiosidade sobre Sombra e Sol. De qualquer modo, foi divertido! Abraços a todos!


domingo, 10 de abril de 2016

Caixinha de música - A trilha (medieval/renascentista) de "A Muralha" - parte III



SAUDAÇÕES, queridos e raros leitores!! Demorou, mas aqui estou de volta com minhas postagens musicais sobre a trilha de "A Muralha"! (Mais esclarecimentos AQUI).

Bem, como achei que a postagem anterior ficou muito grande, vou dividir o que seriam outros dois posts bem extensos em partes menores com, no máximo, duas ou três músicas cada. Acho que fica mais simples e mais gostoso de ler. Eu tenho uma péssima mania de ser prolixa, portanto, esta é a minha tentativa de tornar a vida dos possíveis leitores mais fácil. 

CAHAM. Vamos lá! Na última postagem, falei sobre temas de casais, certo? Hoje vou falar de músicas de personagens específicos e vou começar pelas minhas favoritas: as melodias ligadas a Dom Guilherme (Alexandre Borges) e Padre Miguel (Matheus Nachtergaele).

Primeiro, vamos a Dom Guilherme. Lembram que eu disse que Guilherme era o "bardo" de "A Muralha"? Ainda me lembro do meu encantamento com uma cena em que ele está tocando um alaúde e cantando, e Dona Ana (Letícia Sabatella) vai até ele, curiosa. Então ele pergunta à moça se ela gosta de música, ao que ela assente, e ele diz: "é quando Deus está mais perto dos homens. Até os padres sabem disso". Nunca me esqueci desta fala ♥. A cena é esta (começa aos 1:43 minutos). Dom Guilherme está cantando uma música em "espanhol" (foi o que eu pensei na época) e eu fiquei meio obcecada por ela anos e anos.

Ela também é a música que Guilherme canta para Ana debaixo da janela quando ela está doente; havia, inclusive, uma versão instrumental que tocava aqui e ali, sempre ligada a ele ou aos dois. Só que a canção não estava presente no CD da trilha, o que era bem frustrante! O que me restou? Caçar a bichinha no YouTube até eu reconhecer a melodia. Foram listas e listas de músicas sefarditas até que eu encontrei "Una pastora yo ami". 




Esta é minha versão favorita das que encontrei, bem mais alegrinha do que a versão da série (que eu acho linda). A música é cantada em ladino e fala sobre um garoto que amava uma pastora e foi esquecido por ela. Meu nível de obsessão pela canção é tão alto que escrevi um pequeno poeminha pensando nela; ele vai figurar em "Sombra e Sol", minha série lá no wattpad. É muito amor ♥ e, mais uma vez, uma escolha muito sensível, já que Guilherme se apaixona por uma judia e esta música pertence à tradição dos judeus da península ibérica.

Bem, mas vamos à música que, depois de "La Rosa Enflorece", talvez seja a minha favorita da série toda: o tema de Padre Miguel.

Padre Miguel é o Athelstan de "A Muralha" (na verdade, Padre Miguel surgiu primeiro, então digamos que Athelstan é o Padre Miguel de Vikings XD): jesuíta, cristão, ele começa a série plenamente convicto de suas crenças, mas vai entrando em contato com outra cultura (a dos índios), apaixona-se, enfrenta o terrível Dom Jerônimo e acaba mudando muito. Porém, continua sempre sendo uma pessoa boa e compassiva. É um dos meus personagens favoritos e eu ficava de olhos marejados TODA VEZ que o tema dele tocava:



(É a melodia da cena que começa aos 9:42 minutos ♥).

Creio que esta música foi uma das mais difíceis de encontrar porque eu não fazia ideia de onde ela vinha... estava claro que era religiosa, que devia fazer parte da liturgia da época, mas eu não a encontrava. Bem, foi então que, um dia, em uma das milhares de listas de música medieval que estava escutando, descobri a linda "Hanac Pachap Cuissicuinin" (Alegria dos céus) e chorei como uma criancinha.

 


"Hanac Pachap Cuissicuinin" é um hino Quechua à Virgem Maria, escrito em 1622 por um frei franciscano chamado Juan Peréz Bocanegra. Tendo sido publicado em 1631, foi um dos primeiros hinos religiosos a ser difundido no Novo Mundo. Não se sabe se a melodia foi composta pelo próprio Bocanegra ou por um nativo...

Acho a história e a música tão absolutamente fascinantes que vou colocar a letra dos primeiros versos aqui, só para vocês sentirem o "clima" da coisa. A escolha, novamente, foi muito, muito acertada para acompanhar o padre Miguel, já que se trata de um hino jesuíta e já que Padre Miguel pinta uma Virgem Maria indígena ao longo da história: 

Quechua
Hanacpachap cussicuinin,
Huaran cacta muchas caiqui.
Yupairuru pucocmallqui,
Runa cunap suyacuinin.
Callpannacpa quemicuinin,
Huaciascaita.

Uyarihuai muchascaita
Diospa rampan Diospamaman
Yurac tocto hamancaiman
Yupascalla, collpascaita
Huahuaiquiman suyuscaita
Ricuchillai.
English
Heaven's joy!
a thousand times shall we praise you.
O tree bearing thrice-blessed fruit,
O hope of humankind,
helper of the weak.
hear our prayer!

Attend to our pleas,
O column of ivory, Mother of God!
Beautiful iris, yellow and white,
receive this song we offer you;
come to our assistance,
show us the Fruit of your womb.

Lindo, não? Fiquemos aqui, por hoje, com estas duas canções, terra e céus. Convenhamos, nem precisa de mais! 

sábado, 2 de abril de 2016

Sombra e Sol e O Espelho... que tal uma leitura rápida no fim de semana?

Olá, pessoal! Eu já falei bastante sobre isso no meu outro blog, mas como estou com uma nova empreitada literária, resolvi fazer uma postagem sobre ela aqui também.

O subtítulo do blog diz que eu sou uma "moça que anda tentando ser escritora", e isso é verdade. Só que a maioria das minhas coisas estão na Amazon ou em coletâneas e sei que muita gente não tem paciência para ler um romance inteiro ou um conto de um autor iniciante. Portanto, se quiserem conhecer o que eu cometo de maneira mais descompromissada (e espaçada), fica aqui o convite para que leiam o primeiro capítulo de "Sombra e Sol", minha série no Wattpad (ferramenta de leitura on-line e totalmente gratuita)! A cada semana postarei um capítulo relativamente curto, sossegado de ler. O primeiro foi ao ar ontem!





Além disso, quero dar uma ótima notícia! Meu conto da antologia Excalibur, da Editora Draco, agora pode ser adquirido separadamente na Amazon por apenas R$ 2,99. Olha aí a sinopse de O Espelho: 

"Em meados de 1946, quatro inglesas se mudam para uma casa de campo em Glastonbury, buscando deixar o fantasma da guerra e da morte para trás. Mãe e filhas, porém, não imaginam que sua nova moradia esconde um segredo antigo, vindo de tempos imemoriais, quando reis e cavaleiros andavam sobre a terra. O espelho trincado do porão parece refletir mais do que deveria. A tristeza da dama de Shallot encerra uma terrível maldição..."



Esse é um texto com bastante suspense, algo mais puxado para o terror. Tá vendo? Nem só de elfos e romances eu vivo... XD. 

Bom, por hoje é isso, pessoas. Se você estiver aí, à toa no final de semana, que tal dar uma chance para uma escritora brasuca? Fica a dica! 

terça-feira, 29 de março de 2016

Pipocas e Lendas: Batman Vs. Superman e muitas outras coisas


Olá, pessoas aleatórias e não-aleatórias que passam por aqui! Sei que disse que voltaria com mais uma postagem musical, mas como assisti a “Batman Vs. Superman” ontem, resolvi diversificar um pouco o assunto. Fazia tempo que eu não tinha vontade de comentar um filme, mas este quebrou o meu verdadeiro marasmo cinematográfico.

Bem, as discussões sobre a película tem sido bastante inflamadas e as críticas dos maiores veículos (como Rotten Tomatoes e sites especializados) têm tendido mais para o negativo. Confesso que, num primeiro momento, a temática de “picuinha” entre dois super-heróis não me atraiu, mas como o Matheus estava muito curioso para assistir e havia boatos de que o Aquaman apareceria, resolvemos ir. Antes disso, assistimos a “Homem de Aço”, que nunca havíamos conferido, para poder entender melhor o filme novo, e daí as surpresas começaram.

Não é que eu adorei “Homem de Aço”? A gente sempre achou que seria um filme muito sorumbático, com um Superman “nada a ver”, sombrio e carrancudo, mas não foi assim, não. As discussões sobre o peso da responsabilidade e sobre como o mundo veria (e receberia) uma pessoa como Kal-El foram bem pertinentes. Além disso, eu curti muito o romance do filme. Mas a gente fala sobre isso mais tarde.

Pois bem. “Batman Vs. Superman” segue a mesma linha de “Homem de Aço” e eu... amei o filme. Mas amei mesmo. Está, para mim, ali do lado de “Soldado Invernal” e acho que até ultrapassa o filme do Cap. Que fique claro que eu quase não leio quadrinhos e não sei bem quais são as discrepâncias que o filme traz em relação à caracterização dos personagens. Matheus não curtiu tanto o Batman a la “Dark Knight”, mas eu o achei muito interessante dentro do filme. O Batman mostrado me pareceu um homem muito, muito cansado e cético, que definitivamente não está bem psicologicamente e resolve concentrar todos os seus medos e apreensões naquela figura alienígena que apareceu há dois anos, o Superman.

Uma das discussões mais interessantes do filme gira em torno do Clark, quer dizer, do Kal-El. Como o ser humano reagiria a uma criatura como ele? Veriam-no como um deus? É possível se manter bom em um mundo como o nosso? O que o peso de uma responsabilidade como essa faria a uma pessoa? Superman torna-se uma figura messiânica e a reação das pessoas a ele é totalmente plausível (para o bem e para o mal), incluindo aí a do mimado Alexander Luthor, perfeito vilão egocêntrico dos nossos tempos facebookianos. Ele é o garotinho psicótico que quer desafiar o deus que não o salvou de seus problemas pessoais. Uma mente brilhante cognitivamente, mas extremamente infantil e imatura psicologicamente. 

Muito se falou da Mulher Maravilha. Bom, eu nunca curti a Mulher Maravilha, desde pequena, e acho forçadíssimo falarem que ela foi o ponto alto do filme com TANTA coisa interessante acontecendo. Mas houve sim uma cena muito legal com ela, que a transformou em mais do que “A Mulher Foda” TM: o trecho no qual ela explica por que se afastou do mundo por quase cem anos; ali nós também vemos uma heroína marcada.

Eu achei muito interessante que se discuta o peso de ser um herói neste filme e em “Homem de Aço”, coisa que não acontece muito nas películas da Marvel, mais solares e divertidas. Gosto dos dois tipos de contar histórias, mas confesso que “Batman Vs. Superman” me tocou muito mais com seus questionamentos. Os paralelos com religião, a discussão sobre a necessidade do ser humano de acreditar em algo maior (e melhor) são coisas muito caras a mim. Além disso, a forma ruim como muitos reagem ao Superman é extremamente coerente.

Superman e Lois, aliás, são muito emblemáticos. A minha vida toda eu ouvi as pessoas tirando sarro do Superman e dizendo que ele é sem sal e escoteiro, que é sem graça... tudo bem, todo mundo tem direito de não gostar de um personagem. Mas é interessante ver como muitas pessoas reagem a personagens bons. Tem vezes que não é nem questão de gosto, é uma inabilidade em aceitar, mesmo. É como se eles não fossem possíveis. Por isso a reação ao Superman, no filme, se torna tão interessante: ELE TEM QUE estar fazendo alguma coisa ruim, ele TEM QUE estar errado de algum jeito, ele precisa se tornar um vilão. Gente boa assim não existe.

Vocês já viram como nunca se duvida do mal e das escalas de cinza (eu também não duvido nada destas coisas), mas duvida-se do bom e do bem? As pessoas (e eu me incluo nisso) PROCURAM coisas erradas. Elas desconfiam de TUDO. Se alguém está fazendo alguma coisa boa, tem que haver ali uma motivação escusa. Noto isso até na minha esfera pessoal: nunca comento nada sobre minha vida a dois (até porque não há necessidade), mas o simples fato de eu e o Matheus vivermos bem (e “bem” não é sinônimo de “sem problemas”) e nos tratarmos com carinho já faz as pessoas dizerem (do nada, sem eu ter pedido opinião) que logo isso vai acabar ou que a gente deve se trair ou coisa assim. Porque DEVE TER ALGUMA COISA ERRADA, um segredo hediondo. PRECISA ter.

Superman representa esse bem que as pessoas não conseguem mais aceitar em um mundo cínico como o nosso. E a relação dele com a Lois também é uma relação em que as pessoas não acreditam. Eu li em vários lugares que a Lois não é uma boa “representação feminina” e fiquei com cara de “pois é”.

Fiquei super feliz com a Lois neste filme. Já foi estabelecido que ela é uma pessoa corajosa, que ela tem sua profissão e etc. Só que ela é uma humana em uma luta de deuses e gigantes e é óbvio que vai ficar em desvantagem. E eu vi ali uma mulher que não precisa provar nada, cuja imagem não é tão frágil que ela não possa ser salva (ou vai quebrar a aura de “Mulher Foda TM”). Estou cansada de personagens de papelão, de mulheres que não podem errar ou ter suas fragilidades em nome de uma suposta “melhor representação”. Pois a Lois me representa. “Ah, mas ela só fica indo atrás do Superman”. Então, deixa eu explicar uma coisa, gente, é a REAÇÃO HUMANA, normal, de uma pessoa que ama a outra. Eu iria atrás do meu marido até no inferno se soubesse que ele está em perigo ou pode morrer (e vice-versa, viu?). O Clark estava sendo massacrado de todos os lados, são absolutamente naturais as reações dela e a forma como ela foi colocada na história.

Achei lindas as cenas em que o Clark salvou ela e as cenas em que ela foi em auxílio dele. Lindas mesmo. “You are my world”. Suspirei, chorei, achei bonito. Isso me toca, ponto. E daí do lado tinha a Mulher Maravilha. Outro tipo de mulher, outro tipo de personagem. Legal. Permitam que as mulheres sejam diversas. Não batam na Lois e exaltem a Mulher Maravilha como “o modelo de representavidade” (pelo menos não o único). Há quem se sinta representada pela Lois Lane, eu sou uma delas. Sou uma mulher humana que ama alguém e que gostaria de ter a coragem de fazer muito por ele, caso fosse necessário. Eu não preciso de uma espada e um escudo para me sentir forte (mas entendo quem curte, entendo mesmo), eu sempre achei que a força está no coração (aliás, não é à toa que eu gosto do Superman também) e fico feliz que haja mulheres de todos os tipos surgindo nas histórias. Só não façam (ou continuem fazendo) mulheres de papelão. Mulheres que, ao invés de estarem ali “só para serem salvas”, estão ali para reforçar qualquer pauta panfletária. Questões de representatividade podem ser discutidas em histórias sem parecer que a gente está assistindo a um vídeo institucional didático, gente.

Essa necessidade de trazer novas personagens femininas “fortes” tem criado umas aberrações e umas voltas de roteiro que eu vou te contar. Eu estava amando Legends of Tomorrow, da CW (mesmo com os furos), mas os criadores têm tomado cada decisão criativa que dá vontade de chorar (o último episódio foi tão descaradamente panfletário que ficou artificial – de papelão, como eu disse). Por exemplo, decidiu-se que a Kendra Saunders não podia ficar com o Carter Hall porque ela não podia estar sempre atrelada a um personagem masculino e blá-blá-blá. Mataram o Carter. Daí decidiram que seria uma boa ideia a Kendra “escolher” ficar com o Ray Palmer (oi?), mas ela não pode ser uma “donzela em perigo” (estou pegando birra desse termo). Então, um dia ela vai enfrentar o grande vilão imortal da história, que ela ainda NÃO conseguiu matar em umas 400 encarnações. Esse cara precisa morrer ou senão uma porção de tragédias e calamidades vai acontecer no futuro. Bem, ela tem duas opções:

- Ir sozinha;

- Levar o Ray no bolso para ajudar, caso precise (ele pode ficar pequenino);

O Ray, obviamente, oferece ajuda (e o Ray de LOT é um doce. Ele ofereceria ajuda para qualquer um. Ele tomou uma surra pelo Heatwave, gente). Só há VANTAGENS em levá-lo, sério. O que ela faz? Briga com ele, porque o ego de “mulher independente” (?) dela é mais importante do que, sei lá, o resto do mundo, e vai sozinha.  As coisas dão errado e no final ele ainda pede desculpas para ela porque ela precisa de “um companheiro e não de um namorado super protetor”.

(Não, Ray. Você não precisa se desculpar. A Kendra achou que o ego dela era mais importante do que resolver um problema de escalas globais. A cagada não foi sua. E um companheiro também teria oferecido ajuda, porque ACEITAR AJUDA NÃO É FRAGILIDADE, em muitos casos é simples questão de inteligência).

Enfim. O post já está muito grande, então, só digo isso: Lois me representa. A Mulher Maravilha é legal, mas é com a Lois que eu me identifico, e aprendi que não tem nada de errado em ser humana e ser salva de vez em quando.

;´) 

terça-feira, 15 de março de 2016

Caixinha de música - A trilha (medieval/renascentista) de "A Muralha" - parte II

Ontem falei que começaria a minha série sobre a trilha de "A Muralha" com os temas de casais. Certamente as melodias que embalavam os enamorados da série estavam entre as que mais se repetiam durante os capítulos e eram todas - a meu ver - lindas.

"A Muralha" tem vários casais e histórias de amor, algumas bem trágicas. Quando eu tinha doze anos, meu casal favorito era, com certeza, Dom Guilherme (Alexandre Borges, muito simpático no papel), um verdadeiro bardo de bom coração e Dona Ana (Letícia Sabatella, linda), a judia que veio de Portugal para se casar com Dom Jerônimo Taveira (GAAAAAH, o desespero que eu tenho deste personagem!! O ASCO! Tarcísio Meira fez um excelente trabalho) e assim tentar salvar seu pai das fogueiras da inquisição. A história deles com certeza era a mais dramática e romântica... e até hoje eles seguem sendo meus favoritos, talvez por conta da nostalgia (mas Ana sofre demais, pobrezinha!). 

Não é a melhor imagem de nenhum dos dois, mas foi a única em que os encontrei juntos! 

A música deles também era a minha preferida, na época (e a da minha família). Era verdadeiramente linda e tinha duas versões: 



Uma com alaúde ou algum outro instrumento de cordas, combinando bem com o romântico Dom Guilherme.


 

E esta, mais suave, com predomínio da flauta ♥. Pois bem. Depois de muita procura, descobri que a música é de 1675 e se chama Españoleta. Pelo que li, parece se tratar de uma "romanesca", um estilo de música da época (creio que é isso mesmo. Dizem que "Greensleeves" é uma romanesca e o estilo é parecido, não?). Note que o segundo vídeo acima tem este nome no título porque ele é meu e eu o adicionei depois da descoberta XD. A música é atribuída a Gaspar Sanz (1640-1710), compositor e violonista espanhol.


 

Este arranjo é bem parecido com o usado em "A Muralha"...

 

 Mas também temos interpretações mais complexas. Uma música muito linda...

Iupi!! Vamos à próxima. Um outro casal que me deixava muito emocionada era Leonel (Leonardo Medeiros) e Margarida (Maria Luiza Mendonça). Leonel fez uma coisa muito questionável durante a série, mas ele realmente amava sua esposa, que era praticamente uma fada do campo. Margarida era doce, suave, amava os animais, as flores... e fazia poesia. Eu AMAVA suas roupas leves, seus arranjos de cabelo e seu jardim de rosas e me identificava horrores com ela.

Não achei foto de Margarida e Leonel juntos, snif. Fiquemos apenas com Margarida. 


O maior desejo da moça era ter um filho, mas ela era estéril. A história dos dois foi uma das que mais me fez chorar, e hoje a música tema de Margarida e Leonel (mas principalmente dela, que era uma rosa...) é a minha favorita (o vídeo abaixo também é meu ♥). 




MEU DEUS, QUE MÚSICA LINDA, MEU DEUS!

Foi com muita alegria que descobri que esta pérola musical é uma canção sefardita. Os sefarditas são os judeus de Portugal e Espanha e este pessoal fez a linda "La Rosa Enflorece", que, aliás, tem letra em ladino (judeu-espanhol). Se eu tivesse que escolher um tema para minha vida... (mentira, jamais conseguiria escolher um só, mas "La Rosa Enflorece", também conhecida como "Los bilbilicos" - os rouxinóis - estaria bem cotada). BEHOLD:



 A letra está aqui. Dá para entender.

Tem até versão metal, gente:





Só depois de saber a letra e escutar a "versão original" eu percebi o quanto a escolha da música foi extremamente feliz e cuidadosa. Combinava muito com a Margarida. Mas vamos parar aqui antes que eu poste todas as versões do You Tube. 

Prossigamos para o próximo casal que definitivamente não era o meu favorito, mas que tinha uma música muito bonita também. O cafajeste Bento Coutinho (Caco Ciocler), comparsa de Dom Jerônimo e posterior herói trágico e Rosália (Regiane Alves), a filha mais jovem de Dom Braz Olinto, patriarca de Lagoa Serena.



A história também é de fazer o ♥ partir em pequenos cacos e a música só ajuda no drama: 

09.Rosália e Bento.mp3 - pode clicar e ouvir, gente. O arquivo é meu.

Pois bem. Esta linda e tristonha musiquinha chama-se "Adio Kerida", também é uma melodia sefardita com letra em ladino e é ultra trágica. A minha versão favorita é esta, interpretada por Yasmin Levy:




A letra também combina muito com os personagens, pois fala de uma história de amor trágica. Basicamente, um homem está dando adeus para a amada, dizendo que não quer mais a vida, pois a mulher a amargou. Mais uma vez vemos que o trabalho de pesquisa e escolha das canções foi muito sensível. A equipe de "A Muralha" está de parabéns. Merece não só palmas, mas o Tocantins inteiro (lágrimas). 

Por último, outro casal trágico, Basília (Débora Evelyn) e Afonso (Celso Frateschi). Os dois já eram casados e a mulher culpava o marido por ter perdido o filho deles em uma das suas incursões pelo sertão. Outra história melancólica, mas me lembro que a música dos dois era muito suave e evocava muito bem toda a solidão de Basília e de seu companheiro. 


Infelizmente não tenho o arquivo da versão de "A Muralha" para vocês, mas descobri que a música se chama "Si la noche haze escura" e é atribuída a Francisco Guerrero (1528-1599). Novamente, uma escolha muito acertada. A letra fala sobre uma mulher que espera pelo amado em uma noite escura e solitária; a personagem certamente combina com tal imagem, já que passa grande parte da série esperando pela volta do filho e do marido. 




Bem, por hoje ficamos por aqui. Devem estar se perguntando onde está a canção do casal principal da série, Beatriz (Leandra Leal) e Tiago (Leonardo Brício). Pois é. A música deles é linda, mas é uma das que ainda não achei.... mas voltamos a falar dos dois mais tarde. Na semana que vem retorno com mais trilha de "A Muralha" e seus personagens... 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Caixinha de música - A trilha (medieval/renascentista) de "A Muralha" - parte I

Saudações, menestréis e andarilhos! Eu volteeeeei ao blog depois de um longo hiato pós-D&D 30 Day Challenge! Me desculpem a ausência, mas tive muito trabalho para fazer no mundo sem-graça real e precisei me afastar do Letras e Lendas. No entanto, nada temam! Aqui estou de volta, e hoje começo uma nova série de postagens que deve agradar aos aficionados em música, especialmente música medieval/renascentista (me desculpem qualquer incongruência com nomenclatura - não sou uma especialista, só uma entusiasta mesmo!). 

Primeiramente, vamos a alguns esclarecimentos. No meu outro blog, já falei um pouco do meu afeto por uma antiga minissérie da Rede Globo (da época em que eu ainda assistia às minisséries da emissora...) chamada A Muralha, feita lá pelos idos de 2000 em comemoração aos 500 anos do Brasil. A minissérie falava sobre a colonização do nosso país pelos portugueses e europeus, o movimento dos bandeirantes, a corrida pelo ouro, a vida difícil na Vila de São Paulo de Piratininga... Aliás, "A Muralha" do título refere-se à serra do mar que os recém-chegados enfrentavam para conseguir chegar à "civilização". 

Acho que "A Muralha" foi muito marcante para mim por conta da temática. Foi uma das primeiras coisas com clima "medieval" que eu assisti (bem, não era bem medieval, mas para minha mente de doze anos era). Era uma produção de época na TV aberta brasileira e foi muito bem feita. Recentemente, "A Muralha" foi reprisada no canal fechado Viva, também da Globo (mas dedicado exclusivamente a programas e novelas antigos). Eu me aventurei a assistir de novo e me emocionei e curti muito, tanto quanto da primeira vez em que assisti. 

(No entanto, não recomendo que assistam a versão em DVD. É MUITO cortada, a edição é verdadeiramente péssima e estraga a experiência). 

A caracterização dos personagens e figurinos me deixava encantada. 


Lembro que além do vestuário, caracterização dos personagens e das histórias de amor, uma das coisas que mais encantou minha alma pré-adolescente ávida por identificação foi a trilha sonora da série. As músicas eram lindas e fascinaram toda a minha família. Lembro que esperamos ansiosamente pelo lançamento do CD, que nunca aconteceu; imaginem como eu fiquei decepcionada. Eu sempre adorei música, desde muito pequena, e se tem uma coisa que me faz ficar obstinada... 

Tenho um relacionamento "intenso" com música. Até certa idade, eu achei que todo mundo gostava de música tanto quanto eu. Na verdade, só depois que comecei a namorar foi que me dei conta que nem todas as pessoas curtiam e sentiam melodias da mesma forma. Quer dizer, a maioria das pessoas gosta de ouvir algum tipo de música e se emociona ou se empolga com certos ritmos e estilos. Mas eu tenho quase um vício. Não fico um dia sem escutar música e ela é essencial em minha vida. Costumo brincar que eu jamais, jamais poderia ficar surda. Deixe-me cega, muda, tire todos os meus sentidos, menos minha audição. Tenho pavor daquele certo golpe do Shaka de Virgem... XD. 

Enfim. Nunca me conformei com o não lançamento e a não divulgação da trilha sonora de "A Muralha". Depois que a internet chegou e se firmou lá em casa, comecei a procurar por informações e descobri que um CD foi lançado sim, mas foram feitas apenas algumas cópias, distribuídas internamente na emissora. Mas, se o CD existia... existia como encontrar as músicas. 

Até então, eu acreditava que a trilha era completamente original, exceto pela abertura, que é uma melodia de Villa-Lobos. Até hoje ela me dá arrepios: 



Música: excerto do final de "Floresta do Amazonas", de Heitor Villa-Lobos

A trilha de "A Muralha" é de Sérgio Saraceni. Contudo, acabei descobrindo que a maioria das melodias da série eram arranjos de antigas canções dos séculos XIV, XV, XVI... depois de muita "fuçação", acabei encontrando um arquivo do CD para baixar (eu TERIA comprado, se tivesse tido a oportunidade. De qualquer modo, muitas canções já são de domínio público). O arquivo tinha até uma foto do encarte do CD, mas os nomes das músicas eram "nomes fantasia", relacionados aos personagens ou ambientes com os quais se relacionavam. Constava apenas que as melodias eram arranjos de canções renascentistas/medievais. 

O encarte do CD que eu sempre quis ter, mas nunca encontrei

Eu não me satisfiz... depois de certo tempo, comecei a pensar: que músicas são estas? Quais são seus verdadeiros nomes? Sabe... elas me fascinavam. Me tocavam muito, muito mesmo. Se vidas passadas realmente existem, eu tenho certeza que são melodias que já ouvi em alguma outra encarnação, porque olha.... XD. 

Chegamos, finalmente, ao motivo destas postagens que farei daqui para frente. Eu descobri os nomes e possíveis procedências das minhas músicas favoritas de "A Muralha" (só faltou uminha...). Como? Anos de pesquisa no YouTube quando eu não tinha nada melhor para fazer. Deu muito trabalho, MAS eu imagino que em algum lugar possa haver pessoas com a mesma vontade de saber que músicas eram aquelas. Por isso, vou colocar todas as minhas modestas descobertas aqui no blog. Eu adoraria que alguém tivesse feito este trabalho antes por mim, para que eu tivesse descoberto as músicas mais cedo. Mas, como ninguém fez (não que eu saiba), aqui vamos nós. Espero que isso possa ser bacana para alguém, mas, se não for... para mim valeu MUITO a pena ter descoberto estas pérolas que apresentarei para vocês nos próximos dias.

Volto assim que puder com as primeiras melodias de "A Muralha"... começaremos, OBVIAMENTE, com os temas de casais.  Porque O PODER DO AMOR COMANDA. 

Até, menestréis!

quarta-feira, 2 de março de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia30

E enfim chegamos ao último dia do desafio! Agradeço aos que aguentaram minha falação até o fim (especialmente Amanda Silversong e Odin, pessoas mais do que queridas!) e me despeço do D&D 30 Day Challenge com um assunto muito fácil... 

#Dia 30 - Melhor mestre que você já teve.

Não sei se Grumpy Cat daria uma boa mestra (OU EU MESTRANDO O MUNDO EM DIAS DE MAU HUMOR)


Primeiramente devo dizer que eu respeito muito todos os mestres que já tivemos na nossa mesa (parece discurso de formatura, hahahahaha). Mestrar é muito difícil (ainda mais para o nosso grupo #dazoeira), eu já tentei e vi que não é bolinho. É preciso coordenar a história, os NPCs, os inimigos, os personagens jogadores, misturar tudo num balaio de gato e fazer dar certo. 

Cada um dos mestres que já passaram por nossa mesa de jogo tem seu próprio estilo e isso é muito legal. Há quem prefira regras, tabuleiros e puzzles, há aqueles que amam um bom terror e NPCs excêntricos, há os que gostam de de criar tabelas de lesões e calcular as estatísticas de cada reino... todos nos divertem muito, são dedicados e ajudam a diversificar a mesa. É muito interessante perceber a personalidade de cada um em suas aventuras. You go, boys!

Mas hoje, hoje eu vou falar do meu marido ♥. 

É óbvio que Odin/Matheus é o meu mestre do coração, né? Puxa, gente, eu até me casei com ele para garantir que mestre para sempre. Como eu já disse em desafios anteriores, gosto muito do mundo de jogo que o Odin criou; cada um de nós, jogadores, contribuiu um pouco para que ele existisse. Como Odin é a pessoa que mestra há mais tempo e mais regularmente, é óbvio que todos nós temos lembranças muito boas de suas aventuras e de personagens que fizemos nelas. 

O que eu mais gosto nas aventuras do maridão, sem querer puxar o saco, é que ele se preocupa com cada jogador e tenta incluir nossas histórias e gostos na história maior da campanha. Mestres: façam isso! Trabalhem não só o plot da campanha, mas também o enredo que cada jogador criou para seu personagem, o papel que cada um deseja desempenhar na campanha, seu passado... claro que nem todos os jogadores tem esta necessidade, mas alguns gostam muito de se sentir incluídos, fazendo parte do desenrolar da história de maneira mais expressiva do que apenas rolar os dados e ser um peão estatístico. 

O que eu admiro no Odin é aquilo que faz dele um excelente amigo e professor também: ele ouve. Ele motiva. Ele acolhe. Se tem um jogador mais quieto, ele não vai deixar esse jogador ali num canto, ignorado, enquanto os mais expansivos vão tomando conta da mesa (ou, pelo menos, ele vai tentar equilibrar as coisas). Se alguém tem dificuldade de criar uma história, ele vai bolar alguma coisa para aquele personagem, fazendo com que ele termine a campanha com uma importância que nem imaginava que teria. Talvez os outros jogadores nem notem isso, mas eu noto, e acho bacana demais. É possível que minha "lente do amor" aumente as coisas, mas acolhimento é importante, e mesmo dentro de um jogo, de um entretenimento, a gente quer se sentir parte do grupo. Do mundo. 

Lembrem-se: RPG não é você escrevendo um livro, sozinho, mexendo com seus personagens ao bel prazer. RPG é uma atividade em grupo e é complicado querer impor gostos ou só considerar aquilo que te agrada quando estiver mestrando. Não estou falando do meu grupo, e sim de experiências externas que eu já tive com o jogo (e com a VIDA, né, gente) e que foram desagradáveis. 

No fim, jogar e mestrar é como qualquer outra atividade que envolva grupos. É preciso empatia e um mínimo de sensibilidade para que todo mundo saia ganhando. Imagine se você for dar aula e só quiser escutar os alunos de raciocínio rápido, impondo o ritmo acelerado deles para todos os alunos. Não vai dar certo, vai? É preciso escutar e acolher, na medida do possível, TODOS. De repente aquele seu aluno quieto e tímido esconde uma habilidade maravilhosa ou uma sensibilidade incrível. 

Estou fechando o desafio com este textão porque acho que é muito válido dizer: fala-se MUITO de inclusão hoje em dia, mas faz-se POUCO, muito pouco, neste sentido. É fácil bradar no facebook o quanto a gente é esclarecido para ganhar medalhinha de empático e curtida, mas difícil mesmo é olhar ao seu redor, vendo as pessoas REAIS que estão com você, e escutá-las, tratá-las com o mínimo de dignidade. Se você acha que o RPG, por ser entretenimento, não tem nada a ver com isso, está muito enganado(a)! 

O RPG já salvou a minha vida, quando colocou no meu caminho a pessoa mais empática que conheço. Odin, obrigada por ouvir meus sonhos e se importar :). Obrigada por mestrar as aventuras que eu tanto amo, mesmo quando você está com preguicinha. :D Obrigada por ler o que eu escrevo mesmo quando está morto de cansaço. Obrigada por me fazer rainha, guerreira e princesa, e me mostrar que, no fundo, eu posso ser isso mesmo. 

Obrigada por se importar, não só comigo, mas com tantas outras pessoas. É por isso que você é o meu mestre e minha pessoa favorita. 

(Acabou virando uma declaração de amor? É, acabou. Desculpe, gente XD). 

terça-feira, 1 de março de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia29

Hoje é o penúltimo dia do desafio e já estou com o coração meio apertado XD. Vou sentir falta de responder as perguntas, mas vida que segue! Haverá muitos outros assuntos para postar aqui no Letras e Lendas! 

#Dia 29 - O número que você sempre parece tirar no d20!

Um dos nossos amigos trouxe este dado que brilha ao tirar 20 dos Estados Unidos! Bwahahahahahahaha!
Bem, hoje não tem muito mistério. Estatisticamente falando, eu devo tirar algum número em maior porcentagem... mas eu me lembro mesmo é dos extremos, em especial dos extremos negativos. Portanto, o número que eu pareço tirar sempre no d20 é o... 

UM. A FALHA CRÍTICA.

Pois é. 
As pessoas dizem que a rolagem de dados é aleatória. Bullshit. Toda vez que eu vou fazer um teste arriscado e alguém diz: "calma, é só não falhar"... ADIVINHA? Estas são palavras mágicas, gente. "É só não falhar" ou "Não pode falhar" são praticamente comandos arcanos que fazem com que o dado só tenha faces com o número 1 pintado!

Para contextualizar: se você não joga D&D, leitor, talvez esteja estranhando meu papo. O número um, no D&D, representa uma falha automática na sua ação: por exemplo, se você está tentando subir um muro com o seu personagem e tirar um 1, vai cair e provavelmente se machucar. O um é o número do fracasso, hehehehe. 

Livrai-nos de toda falha crítica, amém. 
Quantos combates e armadilhas não dependiam do meu sucesso para dar certo e daí... um no dado. "Se você não desarmar esta armadilha, estaremos danados". Um no dado. "Se não acertar e derrubar o dragão agora, não aguentamos o próximo turno". Um no dado. "Se errar no teste de carisma, o líder da milícia não vai acreditar em você e vai prendê-los". Um no dado

ARRRRGH!

Obviamente, os sucessos críticos (tirar 20 no dado) também acontecem, e são gloriosos. Mas o ser humano tende a lembrar mais das coisas ruins, portanto, o número que eu sempre pareço estar tirando (gerúndio detected) é o maldito um. Ele está lá, como um fantasma, prestes a estragar tudo para você.  


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia28

Hoje o assunto é espinhoso!

#Dia 28 - Um personagem com o qual você nunca mais quer jogar de novo.

Tenho dificuldade de me adaptar com certas classes e raças. Meio orcs, por exemplo, não são muito minha praia, e embora goste muito de paladinos, acho-os rígidos demais. Também é difícil me ver jogando com uma maga. Porém, creio que não posso dizer que nunca, jamais, jogaria com um tipo de personagem... tudo depende de como você o constrói.

O que eu não curto mesmo são certas tendências! A tendência é, basicamente, o modo como o personagem vê e leva a vida; seu caráter, seu coração. Não gosto de jogar com personagens neutros ou caóticos e neutros (ou leais e neutros). Neutralidade é uma coisa que me soa um pouco como "moral da conveniência", hehehe (tá, eu sei que nem sempre - o caso de alguns druidas é um bom exemplo de uma neutralidade mais ligada à natureza), e eu realmente não curto interpretar personagens assim. Minha tendência favorita, na verdade, é o neutro bom, mas também vivo jogando com personagens caóticos bons ou leais e bons.

Gandalf, um bom personagem neutro bom: bem acima de tudo, mas sem apego rígido pela ordem ou por impulsos caóticos e pessoais. 

Contudo, na verdade, já joguei com personagens com os quais nunca mais quero jogar. Anos e anos atrás, Odin teve a ideia de mestrar um aventura de vilões, para que nós também criássemos verdadeiros antagonistas com os quais os nossos heróis teriam de lutar. Acho que a minha primeira vilã foi uma meio-elfa que foi amaldiçoada e virou uma súcubo. Só que... NÃO DEU CERTO. 

EU ODEIO jogar com personagens malignos. É horrível! Não sirvo para interpretar gente ruim, cruel! Cada vez que tínhamos que fazer alguma missão eu quase chorava. Tanto que, no final, minha personagem acabou se redimindo e CASANDO, HAHAHAHAHAHAHA! 

O próprio Odin não gostou muito da ideia, mas nossos amigos de coração peludo ficaram tão empolgados com sua própria vileza que pediram outras aventuras do gênero. Tenho que admitir que muitos vilões icônicos de nossas aventuras foram criações de nossos amigolinos de mente perturbada. Mas EU NÃO SIRVO PRA ISSO!!!! E tenho dito!

Fechando com esta imagem porque estas freirinhas são muito fofas e NÃO MEXA COM ELAS! LEAL E BOM NA VEIA!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia27

Neste dia do desafio, eu vou ter que "roubar" um pouquinho. Mas só um pouquinho.

#Dia 27 - Um personagem com o qual você gostaria de jogar no futuro.

A minha parte FAVORITA de jogar é criar personagens e interagir com o mundo de campanha e com os personagens dos outros jogadores e do mestre. Sentir que eu faço parte de uma história em um mundo de fantasia é o grande barato do RPG para mim. Eu não ligo para regras, estratégias, puzzles ou mesmo para os combates - para mim, tudo isso serve a um propósito maior, que é o de criar uma grande saga épica com personagens lendários XD (e se divertir com os amigos, claro). Não que eu seja avessa à regras, muito pelo contrário. Acho que elas ajudam a estruturar a partida e causam a sensação de que nem tudo depende da nossa vontade, o que é legal, para mim. 

Mas, voltando ao assunto do desafio. Eu estou sempre pensando em novas personagens. Geralmente, quando uma campanha termina, eu já tenho em mente alguma nova pessoinha com a qual quero jogar na próxima. Na nossa última campanha maior de D&D, mestrada pelo Matheus/Odin, eu estava jogando com uma monja, a Séfora, e um dos NPCs, o halfling Bóris, me despertou a vontade de fazer uma halfling também. Até ali, eu só tinha jogado uma vez com uma pequenina, e ela tinha morrido rapidamente. Portanto, comecei a pensar na Lily Primrose Everdeen, e decidi que ela seria uma ladina, já que esta é uma classe que também me agrada e com a qual eu não jogava há muito, muito tempo. 


Porque eu disse lá em cima que estava "roubando" um pouquinho? Bom, além da Lily ser uma ladina (PIADA INFAME DETECTED), quando eu comecei o D&D 30 Day Challenge, eu ainda não estava jogando com ela. Porém, tinha visto o desafio 27 e decidido que iria falar sobre minha futura halfling. Nós estávamos com três amigos mestrando aventuras diferentes e achei que a Lily ficaria guardadinha por um bom tempo, esperando sua vez de ganhar vida. Pois bem. Um dia, um dos nossos amigos ia mestrar e já estávamos com tudo combinado! Só que, durante aquele dia, ele ligou e falou que não estava conseguindo preparar a aventura. Só que queria jogar... e nós também queríamos... e então, Odin preparou algo na velocidade da luz e voltamos a Elgalor naquele final de semana. Assim, eu pude estrear minha querida Lily. 

Ainda assim, decidi falar sobre ela. Lily é, basicamente, uma ladina muito curiosa e inquieta e que ama bolos (claro) e eu NÃO SEI ONDE EU ESTAVA COM A CABEÇA que não tinha jogado com uma halfling em Elgalor até agora. Sabe por quê? HALFLINGS SÃO EU. 

Eu amo meio-elfos e elfos. Sério. Mas estou me divertindo horrores jogando com uma pequenina. Acho que nunca tive tanta facilidade para encarnar uma personagem. Lily é tagarela, alegre, fiel aos companheiros, otimista, acha tudo legal, vê as coisas com o deslumbramento de uma criança... claro que eu não sou tão "solar" quanto ela (nope,nope,nope! Sou uma reclamona, na verdade!), mas eu curto muito esse lado fofo, bondoso, brincalhão e verdadeiramente "feliz" dos halflings (gostaria de ser mais assim, em verdade!). E eles adoram comida. COMIDA. Eu quase vivo por comida, gente, e a Lily não é diferente. 

O mais legal de já ter jogado com ela é que pude definir melhor a personalidade da personagem. No fim, ela me saiu uma mistura do Aladdin da Disney com o Ray Palmer/Atom de Legends of Tomorrow (gente, ASSISTAM Legends of Tomorrow. É muito ♥ e muito RPG. Tem seus furos de roteiro, mas é super divertido). Estou me divertindo MUITO e ontem a gente encontrou o halfling mais querido de Elgalor, o saudoso Bóris. Vamos ver o que vai sair deste grupo lendário que está se formando. O mais bonitinho é que estamos jogando com dois meninos muito queridos que vimos crescendo - meu primo/sobrinho muito supimpa e o filho de dois queridos amigos, que é nosso amigo também. Ou seja: CORROMPENDO A JUVENTUDE XD. 

Portanto, desculpem-me por burlar um pouco a proposta do desafio, mas estou tão empolgada que precisava falar da Lily. Disseram-me os deuses que logo ela deve ganhar um desenho pelas mãos de um certo artista talentoso. Prometo postar por aqui, se ele deixar :D. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia26

Meus deuses, o desafio está acabando! Nem posso acreditar! Já estamos no dia 26 e hoje preciso escolher mais um queridinho XD.

#Dia 26 - Item não mágico favorito.

Eu achei o desafio de hoje super aberto. Basicamente, tudo que não é mágico é um item não mágico, certo? Portanto, posso escolher bolo de chocolate? Ou bolo, ponto?

Bolo é tudo o que importa. 

MAS, se eu for começar a divagar sobre comida, estaremos saindo um pouco do escopo do desafio. Tive que me forçar a escolher algo mais relacionado ao RPG, embora eu quisesse encher este post com gifs de calda de chocolate e bolos sendo recheados.

CAHAM. O meu item não mágico favorito é algo que atesta, novamente, o meu amor por curas e clérigos. Embora eu ame os instrumentos dos bardos, eu nunca consegui me dar muito bem com a noção do bardo tirando o alaúde das costas para tocar durante uma batalha. Sempre acabo imaginando que eu estou apenas falando palavras de encorajamento e cantando canções fortes e simples. O instrumento fica mais para a parte de interpretação e apresentação nas tavernas. 

Agora, se tem uma coisa que eu sempre achei muito legal é o símbolo sagrado do clérigo. O símbolo sagrado é a representação do deus ou da fé do sacerdote (como a cruz no cristianismo, por exemplo), e ele é uma coisa muito simples, mas que tem um significado bem especial. Acho super bacana que o símbolo não seja mágico, mas seja aquilo que ajuda o clérigo a canalizar o próprio poder. Quando o clérigo conjura sua expulsão em mortos vivos, ele o faz por meio da fé e da sua conexão com seu deus, materializada no símbolo sagrado. 

A clériga Kyra, de Pathfinder, afastando o mal com seu símbolo sagrado. 

Não à toa, quando fui escrever meu humilde romance, coloquei todos os clérigos andando com crescentes de prata, símbolo da Deusa na história (não, gente, não sou wicca XD). Porque símbolos sagrados são legais, e se forem uma Lua prateada, são legais e lindos :). 

Símbolo sagrado de Sehanine, deusa da Lua no Forgotten ♥

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia25

EITA, pulei mais um dia! Mas eu sou brasileira, não desisto nunca (pfffft!), e aqui estou para o dia 25 do desafio, escolhendo outro favorito!

#Dia 25 - Item mágico favorito.

Existe uma porção de itens mágicos no D&D. Existem aqueles que os livros trazem, mas nós mesmos podemos criar objetos e quinquilharias imbuídas de magia ao mestrar/jogar. O céu é o limite! Contudo, embora haja uma gama infinita de itens mágicos lindos e maravilhosos, o meu favorito é uma coisa bem simples e, digamos... essencial. 

CAJADO DE CURA, CADÊ VOCÊ? EU VIM AQUI MATAR ESSE DRAGÃO/MORTO-VIVO/NECROMANTE/BALOR SÓ PRA TE TER!!!

Me dá o cajado de cura! NÃO, É MEU!!! CURAAAA!

Só quem já jogou sem um clérigo (ou outra classe que tenha a mesma habilidade) no grupo sabe o quanto faz falta não ter alguém/alguma coisa para curar. Sem curas, a taxa de mortalidade do grupo sobe às alturas. Como eu curto muito jogar com duas classes que têm este poder, o bardo e o clérigo, vira e mexe sou a caixa de band aid do grupo. 

É muito complicado ser o indivíduo responsável pelos ferimentos dos outros personagens. Nos primeiros níveis, mesmo um clérigo totalmente voltado para isso tem poucas magias de cura disponíveis, portanto, cada combate é uma sofrência. A mecânica de descanso curto/descanso longo da quinta edição ajuda bastante a vida dos sacerdotes e outras classes com habilidades medicinais, mas ainda assim, quando todo mundo começa a cair no combate, é para VOCÊ, ser que cura, que os jogadores vão olhar, pidonchos, sedentos pelos pontos de vida que se esvaem.  

Clériga/barda/paladina/druida, me cura, POR FAVOOOOR!
Fora que a questão dos testes de morte na quinta edição deixa a coisa ainda mais aflitiva. Eles funcionam assim: se a gente perde a consciência no combate (ou seja, chega a 0 ou menos pontos de vida), rola o d20 três vezes. Números abaixo de dez são falhas, acima, sucessos. Três falhas: morreu. Três sucessos: estabilizou. Críticos (20 no dado) contam como dois sucessos, e tirar 1 no dado implica em duas falhas. IMAGINA A TENSÃO. Se por um lado a gente pode se estabilizar sem curas, por outro, a gente pode morrer bem rápido. Se não curar e falhar três vezes, poft! Adeus, personagem!

Tudo isso só para dizer o seguinte: quando eu encontro um cajado de cura no tesouro de uma criatura, é como se os céus estivessem se abrindo. Curas são a vida do grupo. LITERALMENTE. Um cajado com 50 cargas de uma magia que recupera pontos de vida é MUITO útil. Mesmo que se tenha um clérigo da cura dentro do grupo, as magias acabam rápido, principalmente em uma aventura com bastante combate. 

Cajados de cura: sem vocês, estaríamos perdidos. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia24

Os monstros acabaram, mas ainda estamos brincando de escolher favoritos! Vamos lá para o desafio vinte e quatro!

#Dia 24 - Tipo de energia favorito.

As energias do D&D são, basicamente, as forças mais ou menos naturais que conjuradores usam para causar dano, a saber: fogo, gelo, eletricidade, ácido e som. A escolha aqui, na verdade, está entre: a) queimar seu inimigo, b) eletrocutar seu inimigo, c) congelar seu inimigo, d) derreter/intoxicar seu inimigo e e) estourar os tímpanos/atordoar seu inimigo. Divertido, não?

Guile: um adepto do dano sônico. 
Se eu fosse escolher algo mais imponente, seria bem fácil. Relâmpagos são lindos e efetivos! Eles podem atingir vários inimigos de uma vez e ainda fazem a gente parecer uma Deusa da Chuva ou a Tempestade. 


NO ENTANTO... eu sou a barda tagarela e nada me parece mais legal do que dano sônico. Pensa bem. Eu me lembro de que, um dia, encontramos armas com habilidades especiais em um tesouro e o Matheus/Odin perguntou para um amigo nosso que tipo de energia ele queria na arma dele. Ele escolheu dano sônico, ao invés de fogo, relâmpago, gelo... eu acho, na verdade, que era um arco. Cada flecha, um grito. Parabéns ao nosso amigo que abriu meus olhos para a maravilha que é ter flechas que berram. Imagina. Mirou, atirou e "MORRAAAAAAA". Bem furtivo, não? NÃO QUERO NEM SABER SE ATRAPALHA O GRUPO, SÓ SEI QUE É DIVERTIDO. 

Além disso, quase nenhum bicho tem resistência a dano sônico. Todas as criaturas que importam tem resistência a fogo, gelo, ácido, etc, etc. MAS NÃO A SÔNICO. 

Ou seja, gente. SONIC WINS! 

Ops. Sonic errado. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia23

Opa! Vamos para mais um dia do desafio? Hoje fechamos as postagens com temática monstruosa, escolhendo a criatura menos prestigiosa de todas... 

#Dia 23 - Monstro menos favorito de modo geral

Já expressei meu pouco amor por algumas plantas e criaturas gelatinosas AQUI. Mas em verdade, as criaturas que menos me atraem no livro dos monstros são os... fungos. 

Fungo violeta. Sério. Não dá. CORRAM, É UM COGUMELO!!!
Eu não gosto de fungos no D&D. Dependendo do sistema/ambientação até combina; acharia uma coisa legal e meio maluca dentro de uma aventura de Call of Cthulhu, por exemplo. Mas dentro de uma campanha com ares de fantasia medieval... nhé. Troque o Balrog por um cogumelo gigante em O Senhor dos Anéis. Errr....


O problema de certas criaturas, para mim, é que elas quebram completamente o "clima" e acabam atrapalhando a imersão. E olha que eu me considero bem flexível nesse aspecto, mas tem coisa que dá vontade de gritar NÃO, MIGO, PARA QUE TÁ FEIO. 

E nem sempre o negócio é completamente absurdo. O livro dos monstros da edição 3.5 trazia, por exemplo, dinossauros. Eles podem até ser monstros respeitáveis - um tiranossauro rex me faz tremer nas bases! - mas não "ornam" com uma aventura de fantasia medieval, vai? Mesmo porque você pode escolher dragões, gente. Dragões. 

Algumas criaturas do livro dos monstros me dão a clara impressão de que alguém tomou chá de cogumelo (pra criar os fungos, só pode) ou queria muito zoar a coisa toda. Quando temos monstros como pudim negro, gosma acre... e o Phasm, gente? Alguém sabe o que eles são, faz favor? 

Oi? Eu nem quero saber como isso se reproduz. Tem uma berinjela fungada dentro dele ou é impressão minha? 
Com tanta criatura WTF, fica difícil escolher, mas meu voto vai para os fungos porque eu não consigo respeitar a ideia de um bolor assassino em D&D, gente. Não rola. Desculpas aos apreciadores de cogumelos XD.