terça-feira, 29 de março de 2016

Pipocas e Lendas: Batman Vs. Superman e muitas outras coisas


Olá, pessoas aleatórias e não-aleatórias que passam por aqui! Sei que disse que voltaria com mais uma postagem musical, mas como assisti a “Batman Vs. Superman” ontem, resolvi diversificar um pouco o assunto. Fazia tempo que eu não tinha vontade de comentar um filme, mas este quebrou o meu verdadeiro marasmo cinematográfico.

Bem, as discussões sobre a película tem sido bastante inflamadas e as críticas dos maiores veículos (como Rotten Tomatoes e sites especializados) têm tendido mais para o negativo. Confesso que, num primeiro momento, a temática de “picuinha” entre dois super-heróis não me atraiu, mas como o Matheus estava muito curioso para assistir e havia boatos de que o Aquaman apareceria, resolvemos ir. Antes disso, assistimos a “Homem de Aço”, que nunca havíamos conferido, para poder entender melhor o filme novo, e daí as surpresas começaram.

Não é que eu adorei “Homem de Aço”? A gente sempre achou que seria um filme muito sorumbático, com um Superman “nada a ver”, sombrio e carrancudo, mas não foi assim, não. As discussões sobre o peso da responsabilidade e sobre como o mundo veria (e receberia) uma pessoa como Kal-El foram bem pertinentes. Além disso, eu curti muito o romance do filme. Mas a gente fala sobre isso mais tarde.

Pois bem. “Batman Vs. Superman” segue a mesma linha de “Homem de Aço” e eu... amei o filme. Mas amei mesmo. Está, para mim, ali do lado de “Soldado Invernal” e acho que até ultrapassa o filme do Cap. Que fique claro que eu quase não leio quadrinhos e não sei bem quais são as discrepâncias que o filme traz em relação à caracterização dos personagens. Matheus não curtiu tanto o Batman a la “Dark Knight”, mas eu o achei muito interessante dentro do filme. O Batman mostrado me pareceu um homem muito, muito cansado e cético, que definitivamente não está bem psicologicamente e resolve concentrar todos os seus medos e apreensões naquela figura alienígena que apareceu há dois anos, o Superman.

Uma das discussões mais interessantes do filme gira em torno do Clark, quer dizer, do Kal-El. Como o ser humano reagiria a uma criatura como ele? Veriam-no como um deus? É possível se manter bom em um mundo como o nosso? O que o peso de uma responsabilidade como essa faria a uma pessoa? Superman torna-se uma figura messiânica e a reação das pessoas a ele é totalmente plausível (para o bem e para o mal), incluindo aí a do mimado Alexander Luthor, perfeito vilão egocêntrico dos nossos tempos facebookianos. Ele é o garotinho psicótico que quer desafiar o deus que não o salvou de seus problemas pessoais. Uma mente brilhante cognitivamente, mas extremamente infantil e imatura psicologicamente. 

Muito se falou da Mulher Maravilha. Bom, eu nunca curti a Mulher Maravilha, desde pequena, e acho forçadíssimo falarem que ela foi o ponto alto do filme com TANTA coisa interessante acontecendo. Mas houve sim uma cena muito legal com ela, que a transformou em mais do que “A Mulher Foda” TM: o trecho no qual ela explica por que se afastou do mundo por quase cem anos; ali nós também vemos uma heroína marcada.

Eu achei muito interessante que se discuta o peso de ser um herói neste filme e em “Homem de Aço”, coisa que não acontece muito nas películas da Marvel, mais solares e divertidas. Gosto dos dois tipos de contar histórias, mas confesso que “Batman Vs. Superman” me tocou muito mais com seus questionamentos. Os paralelos com religião, a discussão sobre a necessidade do ser humano de acreditar em algo maior (e melhor) são coisas muito caras a mim. Além disso, a forma ruim como muitos reagem ao Superman é extremamente coerente.

Superman e Lois, aliás, são muito emblemáticos. A minha vida toda eu ouvi as pessoas tirando sarro do Superman e dizendo que ele é sem sal e escoteiro, que é sem graça... tudo bem, todo mundo tem direito de não gostar de um personagem. Mas é interessante ver como muitas pessoas reagem a personagens bons. Tem vezes que não é nem questão de gosto, é uma inabilidade em aceitar, mesmo. É como se eles não fossem possíveis. Por isso a reação ao Superman, no filme, se torna tão interessante: ELE TEM QUE estar fazendo alguma coisa ruim, ele TEM QUE estar errado de algum jeito, ele precisa se tornar um vilão. Gente boa assim não existe.

Vocês já viram como nunca se duvida do mal e das escalas de cinza (eu também não duvido nada destas coisas), mas duvida-se do bom e do bem? As pessoas (e eu me incluo nisso) PROCURAM coisas erradas. Elas desconfiam de TUDO. Se alguém está fazendo alguma coisa boa, tem que haver ali uma motivação escusa. Noto isso até na minha esfera pessoal: nunca comento nada sobre minha vida a dois (até porque não há necessidade), mas o simples fato de eu e o Matheus vivermos bem (e “bem” não é sinônimo de “sem problemas”) e nos tratarmos com carinho já faz as pessoas dizerem (do nada, sem eu ter pedido opinião) que logo isso vai acabar ou que a gente deve se trair ou coisa assim. Porque DEVE TER ALGUMA COISA ERRADA, um segredo hediondo. PRECISA ter.

Superman representa esse bem que as pessoas não conseguem mais aceitar em um mundo cínico como o nosso. E a relação dele com a Lois também é uma relação em que as pessoas não acreditam. Eu li em vários lugares que a Lois não é uma boa “representação feminina” e fiquei com cara de “pois é”.

Fiquei super feliz com a Lois neste filme. Já foi estabelecido que ela é uma pessoa corajosa, que ela tem sua profissão e etc. Só que ela é uma humana em uma luta de deuses e gigantes e é óbvio que vai ficar em desvantagem. E eu vi ali uma mulher que não precisa provar nada, cuja imagem não é tão frágil que ela não possa ser salva (ou vai quebrar a aura de “Mulher Foda TM”). Estou cansada de personagens de papelão, de mulheres que não podem errar ou ter suas fragilidades em nome de uma suposta “melhor representação”. Pois a Lois me representa. “Ah, mas ela só fica indo atrás do Superman”. Então, deixa eu explicar uma coisa, gente, é a REAÇÃO HUMANA, normal, de uma pessoa que ama a outra. Eu iria atrás do meu marido até no inferno se soubesse que ele está em perigo ou pode morrer (e vice-versa, viu?). O Clark estava sendo massacrado de todos os lados, são absolutamente naturais as reações dela e a forma como ela foi colocada na história.

Achei lindas as cenas em que o Clark salvou ela e as cenas em que ela foi em auxílio dele. Lindas mesmo. “You are my world”. Suspirei, chorei, achei bonito. Isso me toca, ponto. E daí do lado tinha a Mulher Maravilha. Outro tipo de mulher, outro tipo de personagem. Legal. Permitam que as mulheres sejam diversas. Não batam na Lois e exaltem a Mulher Maravilha como “o modelo de representavidade” (pelo menos não o único). Há quem se sinta representada pela Lois Lane, eu sou uma delas. Sou uma mulher humana que ama alguém e que gostaria de ter a coragem de fazer muito por ele, caso fosse necessário. Eu não preciso de uma espada e um escudo para me sentir forte (mas entendo quem curte, entendo mesmo), eu sempre achei que a força está no coração (aliás, não é à toa que eu gosto do Superman também) e fico feliz que haja mulheres de todos os tipos surgindo nas histórias. Só não façam (ou continuem fazendo) mulheres de papelão. Mulheres que, ao invés de estarem ali “só para serem salvas”, estão ali para reforçar qualquer pauta panfletária. Questões de representatividade podem ser discutidas em histórias sem parecer que a gente está assistindo a um vídeo institucional didático, gente.

Essa necessidade de trazer novas personagens femininas “fortes” tem criado umas aberrações e umas voltas de roteiro que eu vou te contar. Eu estava amando Legends of Tomorrow, da CW (mesmo com os furos), mas os criadores têm tomado cada decisão criativa que dá vontade de chorar (o último episódio foi tão descaradamente panfletário que ficou artificial – de papelão, como eu disse). Por exemplo, decidiu-se que a Kendra Saunders não podia ficar com o Carter Hall porque ela não podia estar sempre atrelada a um personagem masculino e blá-blá-blá. Mataram o Carter. Daí decidiram que seria uma boa ideia a Kendra “escolher” ficar com o Ray Palmer (oi?), mas ela não pode ser uma “donzela em perigo” (estou pegando birra desse termo). Então, um dia ela vai enfrentar o grande vilão imortal da história, que ela ainda NÃO conseguiu matar em umas 400 encarnações. Esse cara precisa morrer ou senão uma porção de tragédias e calamidades vai acontecer no futuro. Bem, ela tem duas opções:

- Ir sozinha;

- Levar o Ray no bolso para ajudar, caso precise (ele pode ficar pequenino);

O Ray, obviamente, oferece ajuda (e o Ray de LOT é um doce. Ele ofereceria ajuda para qualquer um. Ele tomou uma surra pelo Heatwave, gente). Só há VANTAGENS em levá-lo, sério. O que ela faz? Briga com ele, porque o ego de “mulher independente” (?) dela é mais importante do que, sei lá, o resto do mundo, e vai sozinha.  As coisas dão errado e no final ele ainda pede desculpas para ela porque ela precisa de “um companheiro e não de um namorado super protetor”.

(Não, Ray. Você não precisa se desculpar. A Kendra achou que o ego dela era mais importante do que resolver um problema de escalas globais. A cagada não foi sua. E um companheiro também teria oferecido ajuda, porque ACEITAR AJUDA NÃO É FRAGILIDADE, em muitos casos é simples questão de inteligência).

Enfim. O post já está muito grande, então, só digo isso: Lois me representa. A Mulher Maravilha é legal, mas é com a Lois que eu me identifico, e aprendi que não tem nada de errado em ser humana e ser salva de vez em quando.

;´) 

terça-feira, 15 de março de 2016

Caixinha de música - A trilha (medieval/renascentista) de "A Muralha" - parte II

Ontem falei que começaria a minha série sobre a trilha de "A Muralha" com os temas de casais. Certamente as melodias que embalavam os enamorados da série estavam entre as que mais se repetiam durante os capítulos e eram todas - a meu ver - lindas.

"A Muralha" tem vários casais e histórias de amor, algumas bem trágicas. Quando eu tinha doze anos, meu casal favorito era, com certeza, Dom Guilherme (Alexandre Borges, muito simpático no papel), um verdadeiro bardo de bom coração e Dona Ana (Letícia Sabatella, linda), a judia que veio de Portugal para se casar com Dom Jerônimo Taveira (GAAAAAH, o desespero que eu tenho deste personagem!! O ASCO! Tarcísio Meira fez um excelente trabalho) e assim tentar salvar seu pai das fogueiras da inquisição. A história deles com certeza era a mais dramática e romântica... e até hoje eles seguem sendo meus favoritos, talvez por conta da nostalgia (mas Ana sofre demais, pobrezinha!). 

Não é a melhor imagem de nenhum dos dois, mas foi a única em que os encontrei juntos! 

A música deles também era a minha preferida, na época (e a da minha família). Era verdadeiramente linda e tinha duas versões: 



Uma com alaúde ou algum outro instrumento de cordas, combinando bem com o romântico Dom Guilherme.


 

E esta, mais suave, com predomínio da flauta ♥. Pois bem. Depois de muita procura, descobri que a música é de 1675 e se chama Españoleta. Pelo que li, parece se tratar de uma "romanesca", um estilo de música da época (creio que é isso mesmo. Dizem que "Greensleeves" é uma romanesca e o estilo é parecido, não?). Note que o segundo vídeo acima tem este nome no título porque ele é meu e eu o adicionei depois da descoberta XD. A música é atribuída a Gaspar Sanz (1640-1710), compositor e violonista espanhol.


 

Este arranjo é bem parecido com o usado em "A Muralha"...

 

 Mas também temos interpretações mais complexas. Uma música muito linda...

Iupi!! Vamos à próxima. Um outro casal que me deixava muito emocionada era Leonel (Leonardo Medeiros) e Margarida (Maria Luiza Mendonça). Leonel fez uma coisa muito questionável durante a série, mas ele realmente amava sua esposa, que era praticamente uma fada do campo. Margarida era doce, suave, amava os animais, as flores... e fazia poesia. Eu AMAVA suas roupas leves, seus arranjos de cabelo e seu jardim de rosas e me identificava horrores com ela.

Não achei foto de Margarida e Leonel juntos, snif. Fiquemos apenas com Margarida. 


O maior desejo da moça era ter um filho, mas ela era estéril. A história dos dois foi uma das que mais me fez chorar, e hoje a música tema de Margarida e Leonel (mas principalmente dela, que era uma rosa...) é a minha favorita (o vídeo abaixo também é meu ♥). 




MEU DEUS, QUE MÚSICA LINDA, MEU DEUS!

Foi com muita alegria que descobri que esta pérola musical é uma canção sefardita. Os sefarditas são os judeus de Portugal e Espanha e este pessoal fez a linda "La Rosa Enflorece", que, aliás, tem letra em ladino (judeu-espanhol). Se eu tivesse que escolher um tema para minha vida... (mentira, jamais conseguiria escolher um só, mas "La Rosa Enflorece", também conhecida como "Los bilbilicos" - os rouxinóis - estaria bem cotada). BEHOLD:



 A letra está aqui. Dá para entender.

Tem até versão metal, gente:





Só depois de saber a letra e escutar a "versão original" eu percebi o quanto a escolha da música foi extremamente feliz e cuidadosa. Combinava muito com a Margarida. Mas vamos parar aqui antes que eu poste todas as versões do You Tube. 

Prossigamos para o próximo casal que definitivamente não era o meu favorito, mas que tinha uma música muito bonita também. O cafajeste Bento Coutinho (Caco Ciocler), comparsa de Dom Jerônimo e posterior herói trágico e Rosália (Regiane Alves), a filha mais jovem de Dom Braz Olinto, patriarca de Lagoa Serena.



A história também é de fazer o ♥ partir em pequenos cacos e a música só ajuda no drama: 

09.Rosália e Bento.mp3 - pode clicar e ouvir, gente. O arquivo é meu.

Pois bem. Esta linda e tristonha musiquinha chama-se "Adio Kerida", também é uma melodia sefardita com letra em ladino e é ultra trágica. A minha versão favorita é esta, interpretada por Yasmin Levy:




A letra também combina muito com os personagens, pois fala de uma história de amor trágica. Basicamente, um homem está dando adeus para a amada, dizendo que não quer mais a vida, pois a mulher a amargou. Mais uma vez vemos que o trabalho de pesquisa e escolha das canções foi muito sensível. A equipe de "A Muralha" está de parabéns. Merece não só palmas, mas o Tocantins inteiro (lágrimas). 

Por último, outro casal trágico, Basília (Débora Evelyn) e Afonso (Celso Frateschi). Os dois já eram casados e a mulher culpava o marido por ter perdido o filho deles em uma das suas incursões pelo sertão. Outra história melancólica, mas me lembro que a música dos dois era muito suave e evocava muito bem toda a solidão de Basília e de seu companheiro. 


Infelizmente não tenho o arquivo da versão de "A Muralha" para vocês, mas descobri que a música se chama "Si la noche haze escura" e é atribuída a Francisco Guerrero (1528-1599). Novamente, uma escolha muito acertada. A letra fala sobre uma mulher que espera pelo amado em uma noite escura e solitária; a personagem certamente combina com tal imagem, já que passa grande parte da série esperando pela volta do filho e do marido. 




Bem, por hoje ficamos por aqui. Devem estar se perguntando onde está a canção do casal principal da série, Beatriz (Leandra Leal) e Tiago (Leonardo Brício). Pois é. A música deles é linda, mas é uma das que ainda não achei.... mas voltamos a falar dos dois mais tarde. Na semana que vem retorno com mais trilha de "A Muralha" e seus personagens... 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Caixinha de música - A trilha (medieval/renascentista) de "A Muralha" - parte I

Saudações, menestréis e andarilhos! Eu volteeeeei ao blog depois de um longo hiato pós-D&D 30 Day Challenge! Me desculpem a ausência, mas tive muito trabalho para fazer no mundo sem-graça real e precisei me afastar do Letras e Lendas. No entanto, nada temam! Aqui estou de volta, e hoje começo uma nova série de postagens que deve agradar aos aficionados em música, especialmente música medieval/renascentista (me desculpem qualquer incongruência com nomenclatura - não sou uma especialista, só uma entusiasta mesmo!). 

Primeiramente, vamos a alguns esclarecimentos. No meu outro blog, já falei um pouco do meu afeto por uma antiga minissérie da Rede Globo (da época em que eu ainda assistia às minisséries da emissora...) chamada A Muralha, feita lá pelos idos de 2000 em comemoração aos 500 anos do Brasil. A minissérie falava sobre a colonização do nosso país pelos portugueses e europeus, o movimento dos bandeirantes, a corrida pelo ouro, a vida difícil na Vila de São Paulo de Piratininga... Aliás, "A Muralha" do título refere-se à serra do mar que os recém-chegados enfrentavam para conseguir chegar à "civilização". 

Acho que "A Muralha" foi muito marcante para mim por conta da temática. Foi uma das primeiras coisas com clima "medieval" que eu assisti (bem, não era bem medieval, mas para minha mente de doze anos era). Era uma produção de época na TV aberta brasileira e foi muito bem feita. Recentemente, "A Muralha" foi reprisada no canal fechado Viva, também da Globo (mas dedicado exclusivamente a programas e novelas antigos). Eu me aventurei a assistir de novo e me emocionei e curti muito, tanto quanto da primeira vez em que assisti. 

(No entanto, não recomendo que assistam a versão em DVD. É MUITO cortada, a edição é verdadeiramente péssima e estraga a experiência). 

A caracterização dos personagens e figurinos me deixava encantada. 


Lembro que além do vestuário, caracterização dos personagens e das histórias de amor, uma das coisas que mais encantou minha alma pré-adolescente ávida por identificação foi a trilha sonora da série. As músicas eram lindas e fascinaram toda a minha família. Lembro que esperamos ansiosamente pelo lançamento do CD, que nunca aconteceu; imaginem como eu fiquei decepcionada. Eu sempre adorei música, desde muito pequena, e se tem uma coisa que me faz ficar obstinada... 

Tenho um relacionamento "intenso" com música. Até certa idade, eu achei que todo mundo gostava de música tanto quanto eu. Na verdade, só depois que comecei a namorar foi que me dei conta que nem todas as pessoas curtiam e sentiam melodias da mesma forma. Quer dizer, a maioria das pessoas gosta de ouvir algum tipo de música e se emociona ou se empolga com certos ritmos e estilos. Mas eu tenho quase um vício. Não fico um dia sem escutar música e ela é essencial em minha vida. Costumo brincar que eu jamais, jamais poderia ficar surda. Deixe-me cega, muda, tire todos os meus sentidos, menos minha audição. Tenho pavor daquele certo golpe do Shaka de Virgem... XD. 

Enfim. Nunca me conformei com o não lançamento e a não divulgação da trilha sonora de "A Muralha". Depois que a internet chegou e se firmou lá em casa, comecei a procurar por informações e descobri que um CD foi lançado sim, mas foram feitas apenas algumas cópias, distribuídas internamente na emissora. Mas, se o CD existia... existia como encontrar as músicas. 

Até então, eu acreditava que a trilha era completamente original, exceto pela abertura, que é uma melodia de Villa-Lobos. Até hoje ela me dá arrepios: 



Música: excerto do final de "Floresta do Amazonas", de Heitor Villa-Lobos

A trilha de "A Muralha" é de Sérgio Saraceni. Contudo, acabei descobrindo que a maioria das melodias da série eram arranjos de antigas canções dos séculos XIV, XV, XVI... depois de muita "fuçação", acabei encontrando um arquivo do CD para baixar (eu TERIA comprado, se tivesse tido a oportunidade. De qualquer modo, muitas canções já são de domínio público). O arquivo tinha até uma foto do encarte do CD, mas os nomes das músicas eram "nomes fantasia", relacionados aos personagens ou ambientes com os quais se relacionavam. Constava apenas que as melodias eram arranjos de canções renascentistas/medievais. 

O encarte do CD que eu sempre quis ter, mas nunca encontrei

Eu não me satisfiz... depois de certo tempo, comecei a pensar: que músicas são estas? Quais são seus verdadeiros nomes? Sabe... elas me fascinavam. Me tocavam muito, muito mesmo. Se vidas passadas realmente existem, eu tenho certeza que são melodias que já ouvi em alguma outra encarnação, porque olha.... XD. 

Chegamos, finalmente, ao motivo destas postagens que farei daqui para frente. Eu descobri os nomes e possíveis procedências das minhas músicas favoritas de "A Muralha" (só faltou uminha...). Como? Anos de pesquisa no YouTube quando eu não tinha nada melhor para fazer. Deu muito trabalho, MAS eu imagino que em algum lugar possa haver pessoas com a mesma vontade de saber que músicas eram aquelas. Por isso, vou colocar todas as minhas modestas descobertas aqui no blog. Eu adoraria que alguém tivesse feito este trabalho antes por mim, para que eu tivesse descoberto as músicas mais cedo. Mas, como ninguém fez (não que eu saiba), aqui vamos nós. Espero que isso possa ser bacana para alguém, mas, se não for... para mim valeu MUITO a pena ter descoberto estas pérolas que apresentarei para vocês nos próximos dias.

Volto assim que puder com as primeiras melodias de "A Muralha"... começaremos, OBVIAMENTE, com os temas de casais.  Porque O PODER DO AMOR COMANDA. 

Até, menestréis!

quarta-feira, 2 de março de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia30

E enfim chegamos ao último dia do desafio! Agradeço aos que aguentaram minha falação até o fim (especialmente Amanda Silversong e Odin, pessoas mais do que queridas!) e me despeço do D&D 30 Day Challenge com um assunto muito fácil... 

#Dia 30 - Melhor mestre que você já teve.

Não sei se Grumpy Cat daria uma boa mestra (OU EU MESTRANDO O MUNDO EM DIAS DE MAU HUMOR)


Primeiramente devo dizer que eu respeito muito todos os mestres que já tivemos na nossa mesa (parece discurso de formatura, hahahahaha). Mestrar é muito difícil (ainda mais para o nosso grupo #dazoeira), eu já tentei e vi que não é bolinho. É preciso coordenar a história, os NPCs, os inimigos, os personagens jogadores, misturar tudo num balaio de gato e fazer dar certo. 

Cada um dos mestres que já passaram por nossa mesa de jogo tem seu próprio estilo e isso é muito legal. Há quem prefira regras, tabuleiros e puzzles, há aqueles que amam um bom terror e NPCs excêntricos, há os que gostam de de criar tabelas de lesões e calcular as estatísticas de cada reino... todos nos divertem muito, são dedicados e ajudam a diversificar a mesa. É muito interessante perceber a personalidade de cada um em suas aventuras. You go, boys!

Mas hoje, hoje eu vou falar do meu marido ♥. 

É óbvio que Odin/Matheus é o meu mestre do coração, né? Puxa, gente, eu até me casei com ele para garantir que mestre para sempre. Como eu já disse em desafios anteriores, gosto muito do mundo de jogo que o Odin criou; cada um de nós, jogadores, contribuiu um pouco para que ele existisse. Como Odin é a pessoa que mestra há mais tempo e mais regularmente, é óbvio que todos nós temos lembranças muito boas de suas aventuras e de personagens que fizemos nelas. 

O que eu mais gosto nas aventuras do maridão, sem querer puxar o saco, é que ele se preocupa com cada jogador e tenta incluir nossas histórias e gostos na história maior da campanha. Mestres: façam isso! Trabalhem não só o plot da campanha, mas também o enredo que cada jogador criou para seu personagem, o papel que cada um deseja desempenhar na campanha, seu passado... claro que nem todos os jogadores tem esta necessidade, mas alguns gostam muito de se sentir incluídos, fazendo parte do desenrolar da história de maneira mais expressiva do que apenas rolar os dados e ser um peão estatístico. 

O que eu admiro no Odin é aquilo que faz dele um excelente amigo e professor também: ele ouve. Ele motiva. Ele acolhe. Se tem um jogador mais quieto, ele não vai deixar esse jogador ali num canto, ignorado, enquanto os mais expansivos vão tomando conta da mesa (ou, pelo menos, ele vai tentar equilibrar as coisas). Se alguém tem dificuldade de criar uma história, ele vai bolar alguma coisa para aquele personagem, fazendo com que ele termine a campanha com uma importância que nem imaginava que teria. Talvez os outros jogadores nem notem isso, mas eu noto, e acho bacana demais. É possível que minha "lente do amor" aumente as coisas, mas acolhimento é importante, e mesmo dentro de um jogo, de um entretenimento, a gente quer se sentir parte do grupo. Do mundo. 

Lembrem-se: RPG não é você escrevendo um livro, sozinho, mexendo com seus personagens ao bel prazer. RPG é uma atividade em grupo e é complicado querer impor gostos ou só considerar aquilo que te agrada quando estiver mestrando. Não estou falando do meu grupo, e sim de experiências externas que eu já tive com o jogo (e com a VIDA, né, gente) e que foram desagradáveis. 

No fim, jogar e mestrar é como qualquer outra atividade que envolva grupos. É preciso empatia e um mínimo de sensibilidade para que todo mundo saia ganhando. Imagine se você for dar aula e só quiser escutar os alunos de raciocínio rápido, impondo o ritmo acelerado deles para todos os alunos. Não vai dar certo, vai? É preciso escutar e acolher, na medida do possível, TODOS. De repente aquele seu aluno quieto e tímido esconde uma habilidade maravilhosa ou uma sensibilidade incrível. 

Estou fechando o desafio com este textão porque acho que é muito válido dizer: fala-se MUITO de inclusão hoje em dia, mas faz-se POUCO, muito pouco, neste sentido. É fácil bradar no facebook o quanto a gente é esclarecido para ganhar medalhinha de empático e curtida, mas difícil mesmo é olhar ao seu redor, vendo as pessoas REAIS que estão com você, e escutá-las, tratá-las com o mínimo de dignidade. Se você acha que o RPG, por ser entretenimento, não tem nada a ver com isso, está muito enganado(a)! 

O RPG já salvou a minha vida, quando colocou no meu caminho a pessoa mais empática que conheço. Odin, obrigada por ouvir meus sonhos e se importar :). Obrigada por mestrar as aventuras que eu tanto amo, mesmo quando você está com preguicinha. :D Obrigada por ler o que eu escrevo mesmo quando está morto de cansaço. Obrigada por me fazer rainha, guerreira e princesa, e me mostrar que, no fundo, eu posso ser isso mesmo. 

Obrigada por se importar, não só comigo, mas com tantas outras pessoas. É por isso que você é o meu mestre e minha pessoa favorita. 

(Acabou virando uma declaração de amor? É, acabou. Desculpe, gente XD). 

terça-feira, 1 de março de 2016

D&D 30 Day Challenge - #Dia29

Hoje é o penúltimo dia do desafio e já estou com o coração meio apertado XD. Vou sentir falta de responder as perguntas, mas vida que segue! Haverá muitos outros assuntos para postar aqui no Letras e Lendas! 

#Dia 29 - O número que você sempre parece tirar no d20!

Um dos nossos amigos trouxe este dado que brilha ao tirar 20 dos Estados Unidos! Bwahahahahahahaha!
Bem, hoje não tem muito mistério. Estatisticamente falando, eu devo tirar algum número em maior porcentagem... mas eu me lembro mesmo é dos extremos, em especial dos extremos negativos. Portanto, o número que eu pareço tirar sempre no d20 é o... 

UM. A FALHA CRÍTICA.

Pois é. 
As pessoas dizem que a rolagem de dados é aleatória. Bullshit. Toda vez que eu vou fazer um teste arriscado e alguém diz: "calma, é só não falhar"... ADIVINHA? Estas são palavras mágicas, gente. "É só não falhar" ou "Não pode falhar" são praticamente comandos arcanos que fazem com que o dado só tenha faces com o número 1 pintado!

Para contextualizar: se você não joga D&D, leitor, talvez esteja estranhando meu papo. O número um, no D&D, representa uma falha automática na sua ação: por exemplo, se você está tentando subir um muro com o seu personagem e tirar um 1, vai cair e provavelmente se machucar. O um é o número do fracasso, hehehehe. 

Livrai-nos de toda falha crítica, amém. 
Quantos combates e armadilhas não dependiam do meu sucesso para dar certo e daí... um no dado. "Se você não desarmar esta armadilha, estaremos danados". Um no dado. "Se não acertar e derrubar o dragão agora, não aguentamos o próximo turno". Um no dado. "Se errar no teste de carisma, o líder da milícia não vai acreditar em você e vai prendê-los". Um no dado

ARRRRGH!

Obviamente, os sucessos críticos (tirar 20 no dado) também acontecem, e são gloriosos. Mas o ser humano tende a lembrar mais das coisas ruins, portanto, o número que eu sempre pareço estar tirando (gerúndio detected) é o maldito um. Ele está lá, como um fantasma, prestes a estragar tudo para você.